
A cena é realmente emocionante. O guia e conservacionista Septian Andriki está ajoelhado no chão e chora. Há 13 anos ele buscava encontrar a raríssima Rafflesia hasseltii, uma das maiores flores do mundo, que só desabrocha durante a noite. E o tão almejado momento ocorreu há poucos dias em uma floresta de Sumatra, uma ilha da Indonésia, e foi divulgado nas redes sociais (assista ao vídeo mais abaixo).
Andriki fazia parte da expedição liderada pelo botânico Chris Thorogood, professor de biologia da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Rafflesia é o gênero que contém as maiores flores do mundo. Das 42 espécies descritas, todas – sem exceção – estão ameaçadas de extinção, sendo 25 delas em “perigo crítico”, um estágio antes da extinção na natureza.
“Foi um encontro que mudou nossas vidas na Sumatra: a Rafflesia hasseltii cresce em apenas algumas florestas tropicais remotas, patrulhadas por tigres, acessíveis para poucos e somente com permissão. Caminhamos dia e noite para encontrá-la, e veja o que aconteceu quando a encontramos”, escreveu Thorogood.

acompanhados do resto da equipe
Foto: redes sociais Chris Thorogood
Essas flores gigantescas – algumas medem mais de 1 metro de diâmetro – só são encontradas em países do sudeste asiático, como Filipinas, Bornéu, Java, Sumatra e Malásia. Mas além de serem enormes, elas também têm outra particularidade: exalam um odor horrível, de carne podre, para atrair um tipo específico de inseto. Por essa razão, muitas delas são chamadas de flores cadáver.
Durante a expedição em Sumatra, a equipe também encontrou um exemplar de Rafflesia arnoldi, a maior dentre todas as espécies do gênero, e considerada por alguns como a mais bonita.

Foto: redes sociais Chris Thorogood
Em 2023, diversos botânicos, entre eles Thorogood, alertaram sobre como essas magníficas flores estavam à beira da extinção. Segundo eles, seu cultivo é muito difícil, o que dificulta também os esforços de conservação. Contudo, os especialistas apontam o engajamento de comunidades locais e o ecoturismo como ferramentas importantes para a sua preservação.
“Propomos uma abordagem de conservação multifacetada que combina taxonomia reforçada, propagação ex situ [cultivo fora do habitat natural], ecoturismo e uma extensão de áreas protegidas. Sugerimos que ações com comunidades locais e campanhas de sensibilização ligadas às redes sociais serão cruciais fora das jurisdições protegidas”, afirmavam os autores do alerta. “Finalmente, propomos estabelecer a Rafflesia como um novo ícone para a conservação de plantas nos trópicos asiáticos. Uma abordagem combinada poderia salvar algumas das flores mais notáveis do mundo, muitas das quais estão agora à beira de serem perdidas”.
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