Pescadores fazem registro incrível de não apenas uma, mas três onças-pintadas nadando em rio no Paraná

Pescadores fazem registro incrível de não apenas uma, mas três onças-pintadas nadando em rio no Paraná

Segundo a bióloga especialista em onças-pintadas, Yara Barros, coordenadora do projeto Onças do Iguaçu, a cena é bastante rara para o Paraná. Mais comum de ser vista no Pantanal, entretanto, no sul do país, bem inusitada. Dois pescadores se depararam com três onças nadando no Rio Paraná, na cidade de Porto Rico, no noroeste do estado.

O arquiteto Beto Gaspar estava num barco, acompanhado do amigo Silvio Rezende, quando primeiro, encontraram três sucuris nos galhos de uma árvore. E pouco tempo depois, apareceram as três onças cruzando o rio e indo até a outra margem.

“Hoje ganhei um presente do papai do céu. Tive o privilégio de filmar três sucuris e três onças-pintadas no mesmo dia, aqui no Rio Paraná, na cidade de Porto Rico, lugar onde eu moro e amo!! Coisa pra se ver uma vez na vida, cena extremamente rara!! Obrigado meu Deus pelo presente!!!”, escreveu ele em sua página no Facebook.

“Olhamos para o lado e estavam as três cruzando o rio e vindo em direção ao barco. A gente teve até que tirar o barco dali, sair um pouco de lado para elas passarem. Obviamente ficamos a uma distância de uns 15 metros para manter a segurança, porque estamos invadindo o habitat natural delas, né?”, contou.

Segundo Yara, certamente as onças eram uma mãe com dois filhotes, já que macho e fêmea só ficam juntos durante o cio, o período de acasalamento.

Onças-pintadas  (Panthera onca) podem ter de um a quatro filhotes por vez, sendo mais comum um ou dois. Depois do nascimento, eles ficam com a mãe por aproximadamente dois anos, quando então partem para buscar seu próprio território.

A coordenadora do Onças do Iguaçu explica ainda que esses animais são excelentes nadadores e adoram água.

Também chamada de jaguar, a onça é o maior felino das Américas. Originalmente era encontrada desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Atualmente a espécie está oficialmente extinta no território americano, é muito rara no México, mas ainda pode ser vista na Argentina, Paraguai e Brasil, todavia, continua muito ameaçada pela caça ilegal, a perda de habitat e a fragmentação da mata, provocadas pelo desmatamento e a expansão urbana e agropecuária.

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Foto: reprodução do vídeo cedido gentilmente por Beto Gaspar

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.