Performance em Paris denuncia a política genocida e antiambiental do governo brasileiro

Vestidos de preto, com alvos nas costas e usando máscaras que estampavam as palavras Amazônia, negros, indígenas, mulheres, artistas, LGBTQI+, Marielle, justiça social, saüde pública e laicidade, membros dos coletivos franceses Alerte France Brésil e Md18 fizeram performance na Praça do Trocadero, em frente à Torre Eiffel, para denunciar o genocídio em andamento no Brasil.

Baseado no manifesto A cada dia, o Brasil morre um pouco mais (leia o texto na íntegra, abaixo), o protesto foi gravado e divulgado na última sexta-feira, 12/6, nas redes sociais, por meio do vídeo-arte Genocide, produzido em parceria com a Ubuntu Collectif Audiovisuel.

O objetivo da manifestação é alertar a comunidade internacional a respeito das práticas do governo brasileiro para que governos e empresas não negociem com “um país que está sob o jugo fascista”. Ao mesmo tempo, os organizadores prestam homenagem à mais de 40 mil vítimas do coronavírus no Brasil.

Como se sabe, o presidente Bolsonaro ignora a gravidade da pandemia desde seu início, preocupado apenas com a economia: toma medidas que prejudicam a contenção do contágio – como a flexibilização da quarentena -, tenta manipular dados e ignora as mortes.

“A cada dia, o Brasil morre um pouco mais”: o texto do manifesto

Uma performance em memória de todas as vitimas do genocídio brasileiro.

O Brasil morre a cada dia um pouco mais quando seu povo é ceifado pela pandemia, o segundo país mais atingido, com um número real de vítimas certamente dez vezes superior ao anunciado, e a grande parcela da população precária e explorada é de novo sacrificada no altar dos lucros de uma minoria insaciável e disposta a endossar todos os crimes, a fim de preservar seus privilégios.

O Brasil morre a cada dia um pouco mais quando sua frágil democracia é atacada por uma gangue de mafiosos, que chegou ao Planalto Central por meio de eleições manipuladas e que implicitamente autoriza todas as formas de violências racistas, homofóbicas e contra políticos adversários, ambientalistas, os povos nativos e profissionais da imprensa, e que incentiva a destruição de suas florestas e reservas naturais, entregues ao apetite ilimitado de gigantes do agronegócio e aventureiros sem escrúpulos.

Com o Brasil é um pouco da beleza do mundo, de sua diversidade humana e ambiental, da sua magia, que é atacada a cada dia, sob o ensurdecedor silêncio das democracias e, em particular, dos países europeus que, fazendo de conta que nada de grave acontece, continuam seus negócios com um governo cínico e mortal, que atropela todos os princípios.

E no entanto, um outro Brasil é possível.

Assista a performance:

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Deixe uma resposta