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Pelo segundo ano consecutivo, fotógrafo brasileiro Lalo de Almeida está entre os vencedores do World Press Photo

Pelo segundo ano consecutivo, fotógrafo brasileiro Lalo de Almeida está entre os vencedores do World Press Photo

Considerado o mais importante prêmio mundial de fotojornalismo, o World Press Photo reconhece anualmente as melhores imagens registradas por profissionais da área sobre temas atuais em nossas sociedades. E em 2022, pelo segundo ano consecutivo, o fotógrafo brasileiro Lalo de Almeida está entre seus vencedores.

Nesta edição, Almeida foi escolhido pelo seu projeto de longo prazo “A Distopia Amazônica” para o jornal Folha de São Paulo. Durante dois anos, o fotógrafo registrou o massacre que tem sido promovido sobre a região onde fica a maior floresta tropical do mundo e os povos que vivem ali, principalmente os indígenas.

“A Floresta Amazônica está sob grande ameaça, à medida que o desmatamento, a mineração, o desenvolvimento de infraestrutura e a exploração de outros recursos naturais ganham força sob as políticas ambientalmente regressivas do presidente Jair Bolsonaro. Desde 2019, a devastação da Amazônia brasileira está em seu ritmo mais rápido em uma década. Uma área de extraordinária biodiversidade, a Amazônia também abriga mais de 350 grupos indígenas diferentes. A exploração da Amazônia tem uma série de impactos sociais, principalmente nas comunidades indígenas que são obrigadas a lidar com significativa degradação de seu meio ambiente, bem como de seu modo de vida”, descreve o World Press Photo sobre a situação.

Pelo segundo ano consecutivo, fotógrafo brasileiro Lalo de Almeida está entre os vencedores do World Press Photo

Em fotos preto-e-branco, Almeida registrou não apenas a destruição da floresta e as atividades dos garimpos ilegais, mas sobretudo, o impacto disso sobre as populações indígenas. Com suas imagens, o fotógrafo mostra a história desses personagens, que enfrentam a fome e a falta de perspectivas diante de um cenário em que o governo federal dá carta-branca à ação de garimpeiros e grileiros (confira todas as imagens da série “A Distopia Amazônica neste link“).

“Não dá para separar as questões ambientais e sociais como se fossem duas coisas diferentes. Você vê que a maioria das cidades que têm altos níveis de desmatamento, também têm os mais altos níveis de pobreza. Então, esses são elementos que estão completamente conectados: pobreza, violência, degradação ambiental e desmatamento”, destaca o fotógrafo.

Pelo segundo ano consecutivo, fotógrafo brasileiro Lalo de Almeida está entre os vencedores do World Press Photo

Lalo de Almeida estudou fotografia no Instituto Europeo di Design de Milão, na Itália. Fez a cobertura jornalística da guerra civil da antiga Iuguslávia. De volta ao Brasil, trabalhou para jornais e revistas e produziu a série “O Homem e a Terra”sobre as populações tradicionais brasileiras, que recebeu o Prêmio Máximo da I Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba, em 1996. Com ela também conquistou o Prêmio Fundação Conrado Wessel, em 2007.

O trabalho do fotógrafo brasileiro já ganhou outros diversos prêmios e em 2017, seu ensaio sobre as vítimas do vírus Zika foi um dos escolhidos pelo World Press Photo.

Em 2021, o fotógrafo brasileiro foi o vencedor na categoria Meio Ambiente do World Press Photo, com imagens da tragédia dos incêndios no Pantanal (leia mais aqui).

Histórias interconectadas

Pela primeira vez, nos 67 anos de história do World Press Photo, o prêmio principal foi dado a uma imagem em que não aparece nenhuma pessoa. A foto de Amber Bracken mostra uma cruz sobre um túmulo e pendurada nela um vestido vermelho. Ela foi colocada ali para lembrar a morte de crianças indígenas em Kamloops, na Colúmbia Britânica, no Canadá. O caso ganhou atenção mundial após serem descobertos restos mortais de menores, levados para uma escola de evangelização, em séculos passados.

“A história colonial não é uma história antiga […] Esta é uma história viva com a qual os sobreviventes ainda lutam. Se queremos falar sobre reconciliação ou cura, precisamos realmente manter e honrar o coração que ainda existe lá”, diz Amber.

Nesta edição do World Press Photos foram inscritos quase 65 mil trabalhos de 4.066 fotógrafos de 130 países. Os finalistas foram divididos primeiramente regionalmente, em quatro diferentes categorias, para que enfim, os jurados escolhessem as vencedoras globais.

“As histórias e fotografias dos vencedores estão interconectadas. Todos os quatro, de maneiras únicas, abordam as consequências da corrida da humanidade pelo progresso e seus efeitos devastadores em nosso planeta. Esses projetos não apenas refletem sobre a urgência imediata da crise climática, mas também nos dão uma visão de possíveis soluções”, afirma Rena Effendi, presidente do júri. “Juntos, os vencedores globais prestam homenagem ao passado enquanto habitam o presente e olham para o futuro”.

A foto que ganhou o prêmio principal: a triste lembrança do massacre
de centenas de crianças indígenas no Canadá

Fotos: Lalo de Almeida (Amazônia) e Amber Bracken (cruz)/divulgação World Press Photo

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