“Pelo menos tivemos um asteroide, qual a desculpa de vocês?”, pergunta dinossauro em campanha da ONU sobre crise climática e extinção da espécie humana

"Pelo menos tivemos um asteroide, qual a desculpa de vocês?", pergunta dinossauro em campanha da ONU sobre crise climática e extinções de espécies

Parece mais um dia normal de sessões na sede das Nações Unidas, em Nova York, quando de repente, um imenso dinossauro caminha pelo plenário em direção ao pódio e espanto de representantes de diferentes países. Ele é Frankie, o genial personagem da campanha “Don’t Choose Extinction” – “Não Escolham a Extinção”, lançada ontem (27/10) mundialmente pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma).

“Escutem todos: eu sei uma coisa ou outra sobre extinção, e deixe-me dizer a vocês… e vocês meio que acham que isso é o óbvio: ser extinto é uma coisa ruim. E levar vocês próprios à extinção? Em 70 milhões de anos, essa é a coisa mais ridícula que eu já ouvi. Pelo menos nós tivemos um asteroide. Qual é a desculpa de vocês?”, pergunta o dinossauro.

Em seguida, Frankie fala sobre como a humanidade está caminhando rumo à extinção e mesmo assim, todos os anos, governos do mundo inteiro investem bilhões de fundos públicos em subsídios à empresas que exploram combustíveis fósseis.

“Imaginem se durante milhões de anos tivéssemos subsidiado meteoros gigantes? É o que vocês estão fazendo agora!”, ironiza o gigante.

Segundo dados do Pnuma, governos internacionais gastam espantosos US$ 423 bilhões anualmente para subsidiar os combustíveis fósseis – petróleo, eletricidade gerada pela queima de outros combustíveis fósseis, gás e carvão. Isso é quatro vezes o valor que está sendo solicitado para ajudar os países pobres a enfrentar a crise climática, um dos pontos críticos antes da Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, a COP-26, que começa em poucos dias, em Glasglow, na Escócia.

O valor gasto diretamente com esses subsídios poderia pagar pela vacinação contra a covid-19 para todas as pessoas na Terra, ou pagar o triplo do valor anual necessário para erradicar a pobreza extrema global.

A campanha, com o dinossauro Frankie, reforça ainda que este é um momento único na história da humanidade.

“Vocês têm uma enorme oportunidade agora. Enquanto reerguem suas economias após a pandemia, esta é a grande chance da humanidade. Então aqui está a minha ideia “selvagem”: não escolham a extinção! Salvem a sua espécie antes que seja tarde demais. É hora dos humanos pararem de dar desculpas e começaram a fazer mudanças”.

Abaixo, o discurso completo de Frankie, em inglês:

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Imagem: reprodução campanha ONU

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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