Pelo menos 5 mil coalas morreram nos incêndios florestais da Austrália

Pelo menos 5 mil coalas morreram nos incêndios florestais da Austrália

Estimativas iniciais, ainda em 2019, apontavam para um número assustador, mas que agora revela-se ser muito pior. Um levantamento que acaba de ser divulgado pela International Fund for Animal Welfare (IFAW) indica que, pelo menos, 5 mil coalas morreram nos incêndios florestais da Austrália, um dos piores desastres já enfrentados pelo país.

O estudo analisou o impacto sobre os coalas dos incêndios ocorridos no final de 2019 e no começo deste ano na região de New South Wales, a mais atingida pelo fogo – 5,1 milhões de hectares de vegetação foram queimados. Os números demonstram que quase 12% da população da espécie (Phascolarctos cinereus) tenha morrido.

Biólogos explicam que esses animais têm poucas chances de sobreviver diante dos incêndios. Além de terem movimentos lentos, eles vivem geralmente em eucaliptos, que queimam muito rápido.

O levantamento associa não somente os incêndios à mortandade em massa desses marsupiais, mas as mudanças climáticas também. A pesquisa examinou dados e áreas de distribuição de três gerações de coalas.

Segundo os cientistas, 2/3 da população da espécie em New South Wales morreu por causa das chamas, seca e outras ações provocadas pelo ser humano.

“Os coalas já estavam em sério risco antes desses incêndios, com populações em declínio em muitas áreas devido ao desmatamento excessivo, doenças, atropelamentos e extinções locais já conhecidas. Esse desastre e a natureza contínua de ameaças podem levar os coalas a seu limite”, alerta Josey Sharrad, da IFAW Wildlife.

Para a organização, os coalas devem ser imediatamente mudados de categoria na lista de espécies ameaçadas. Atualmente eles são classificados como ‘vulneráveis’, mas devem passar a ’em perigo’. “Também deve ser imposta uma moratória em todas as atividades prejudiciais que afetem os coalas para permitir às populações sobreviventes algum espaço para respirar enquanto sua capacidade de recuperação é avaliada posteriormente”, destacou Sharrad.

Coalas: luta pela sobrevivência

Os coalas já enfrentavam uma situação extremamente difícil na Austrália bem antes da temporada dos incêndios, como Josey Sharrad mencionou mais acima.

Em maio de 2019, eles foram declarados “extintos funcionalmente” porque já são tão poucos, que não têm mais papel no ecossistema.

Os biólogos dizem também que o declínio da população compromete a segurança e a variação genética da espécie, pois o acasalamento, muitas vezes, ocorre entre “parentes” muito próximos.

Acredita-se que os coalas (Phascolarctos cinereus) evoluíram no continente australiano durante o período em que a Austrália começou a se deslocar lentamente para o norte, separando-se gradualmente da massa terrestre antártica, há cerca de 45 milhões de anos.

Restos fósseis de animais semelhantes a eles foram encontrados datando de 25 milhões de anos atrás. À medida que o clima mudou e a Austrália se tornou mais seca, a vegetação mudou para o que conhecemos hoje como eucalipto, tornando-se a fonte de alimento desses marsupiais.

Antes dos primeiros europeus chegaram ao continente, por volta de 1788, milhões e milhões de coalas viviam nele. Todavia, ao longo dos últimos 230 anos, o impacto das atividades humanas, assim como a perda das florestas, reduziu a população de coalas a números alarmantes.

E não foi só isso. Durante muitas décadas, ao redor de 1900, a pele do coala era exportada para a Europa. Milhões desses pequenos e inofensivos animais foram mortos para atender a demanda, ou melhor, a vaidade do homem.

Em 1924, a espécie já estava extinta no sul da Austrália. Apenas no final da década de 30, devido à revolta popular, foi declarado pelo governo o status de “animal sob proteção”.

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Fotos: reprodução Facebook IFAW

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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