Pela terceira vez consecutiva, Coca-Cola, Pepsico e Nestlé lideram ranking de maiores poluidoras de plástico do planeta

Coca-Cola, PepsiCo e Nestlé são maiores poluidoras de lixo plástico do planeta, denunciam ONGs internacionais

Em três anos consecutivos, 2018, 2019 e 2020, esse ranking vergonhoso elaborado pela organização internacional Break Free From Plastic revela que três multinacionais se mantêm no topo dessa lista lamentável: são as principais responsáveis pelo descarte de lixo plástico no mundo: Coca-Cola, PepsiCo e Nestlé.

Em 2020, quase 15 mil voluntários, em 55 países, incluindo o Brasil, participaram de mutirões de limpezas em praias, rios, parques e outras localidades públicas. Juntos, eles coletaram mais de 350 mil resíduos plásticos, que depois, foram analisados por auditorias que apontam quais são as marcas fabricantes dessas embalagens.

Além das três multinacionais citadas acima, o levantamento revela o nome de outras sete empresas que contribuem para o descarte global de lixo plástico:

  1. Coca-Cola
  2. PepsiCo
  3. Nestlé
  4. Unilever
  5. Mondelez International
  6. Mars Incorporated
  7. Procter & Gamble
  8. Phillip Morris International
  9. Colgate-Palmolive
  10. Perfetti van Melle

Ano a ano, o monitoramento é realizado em mais países. E o mais alarmante é que o volume de plástico encontrado só aumenta, apesar das marcas afirmarem que estão adotando mudanças. Em 2018, por exemplo, apareciam 9.216 resíduos da Coca-Cola. Em 2020, este número pulou para 13.834.

Pela terceira vez consecutiva, Coca-Cola, Pepsico e Nestlé lideram ranking de maiores poluidoras de lixo plástico do planeta

Segundo o relatório, sete das empresas que aparecem no ranking – Coca-Cola, PepsiCo, Nestlé, Unilever, Mondelez International, Mars e Colgate-Palmolive aderiram ao Compromisso Global da Nova Economia do Plástico, mas um relatório divulgado recentemente pela Fundação Ellen MacArthur afirma que as signatárias do acordo reduziram o uso do plástico virgem em apenas 0,1% entre 2018 e 2019.

Para a Break Free From Plastic, é fundamental que essas companhias não só reduzam urgentemente a quantidade de plástico descartável que usam, mas também, definam metas claras e mensuráveis para tal, assim como assumam total responsabilidade pelo custo externalizado de seus produtos, tais como os custos de coleta e tratamento de resíduos e os danos ambientais por eles causados.

“Não é surpresa ver as mesmas grandes marcas no pódio como as maiores poluidoras de plástico do mundo por três anos consecutivos. Essas empresas afirmam que estão lidando com a crise do plástico, mas continuam a investir em soluções falsas, ao mesmo tempo que se unem a empresas de petróleo para produzir ainda mais plástico. Para combater as mudanças climáticas, multinacionais como Coca-Cola, PepsiCo e Nestlé devem acabar com seu vício em embalagens plásticas descartáveis e se afastar dos combustíveis fósseis ”, destaca Abigail Aguilar, coordenadora regional da Campanha de Plásticos do Greenpeace no Sudeste Asiático.

Conforme é possível ver na imagem abaixo, os itens mais encontrados foram sachês, cigarros e garrafas plásticas.

Pela terceira vez consecutiva, Coca-Cola, Pepsico e Nestlé lideram ranking de maiores poluidoras de lixo plástico do planeta

Em todo mundo, diversas associações de catadores também fizeram parte do esforço. Elas denunciam que a grande maioria dessas embalagens produzidas pelas gigantes multinacionais não pode ser reciclada. Além disso, o que é reciclável vale muito pouco para esse setor.

“Essas companhias dependem de trabalhadores informais para coletar suas embalagens, o que lhes permite cumprir os compromissos de sustentabilidade e justificar o uso de grandes quantidades de plásticos descartáveis. No entanto, a mudança atual para embalagens plásticas de menor valor está ameaçando a subsistência dos catadores, que não podem revender esses itens de baixa qualidade”, critica Lakshmi Narayan, co-fundador da SWaCH Waste Picker Cooperative em Pune, na Índia.

Se nada for feito agora para mudar a maneira como esse volume gigantesco é descartado no meio ambiente, estima-se que a produção global de plástico pode dobrar até 2030 e triplicar em três décadas.

“Essas multinacionais são cúmplices em prejudicar a saúde, a riqueza e o meio ambiente das pessoas. Precisamos de uma transição que exclua os combustíveis fósseis e rumo a uma economia circular ”, ressalta Anna Cummins, co-fundadora da organização 5 Gyres.

Por causa da pandemia, os cuidados precisaram ser maiores durante o trabalho de coleta e análise dos resíduos

O Conexão Planeta enviou e-mails para as assessorias de imprensa no Brasil da Coca-Cola, Pepsico e Nestlé solicitando uma declaração das empresas sobre o levantamento, mas até o momento da publicação desta reportagem ainda não recebeu nenhum retorno. Assim que tivermos respostas, iremos atualizar este texto.

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*Atualizado às 18h

Seguem abaixo posicionamentos recebidos até agora:

Pepsico Brasil

“A PepsiCo acredita que embalagens plásticas não têm lugar no meio ambiente e está agindo, por meio de parcerias, inovação e investimentos, para estimular uma mudança sistêmica em direção à nossa visão de um mundo onde o plástico nunca deveria se tornar lixo. Ao definir metas ambiciosas na redução do uso de plástico, incluindo a diminuição do uso de plástico virgem em nosso negócio de bebidas em 35% até 2025, a PepsiCo também está comprometida em aumentar a reutilização por meio de empresas como a SodaStream, que deve evitar o descarte de 67 bilhões de garrafas de plástico até 2025.

Além disso, investimos continuamente em parcerias para aumentar a infraestrutura de reciclagem e coleta, com aportes de mais de US$ 65 milhões desde 2018. Temos ações em várias frentes para impulsionar o progresso imediato e em longo prazo – reduzindo o plástico que usamos, aumentando as taxas de reciclagem, incentivando a construção de uma economia para material reciclado e reinventando nossas embalagens para ir além da garrafa, sem plástico de uso único”.

Coca-Cola Global

“Em parceria com outras empresas e organizações, estamos trabalhando para resolver esse problema crítico de resíduos de embalagens e temos progredido. Globalmente, temos o compromisso de destinar corretamente o equivalente a 100% de nossas embalagens até 2030, para que nenhuma delas acabe como lixo ou nos oceanos, e o plástico possa ser reciclado em novas garrafas. Embalagens com plástico 100% reciclado já estão disponíveis em 18 mercados ao redor do mundo, e esse número está crescendo de modo contínuo. Também reduzimos o uso de plástico em embalagens secundárias e, em toda a Europa, usamos novas tecnologias de papelão para envolver de forma segura os pacotes múltiplos de latas sem utilizar plástico. Em termos globais, mais de 20% do nosso portfólio é apresentado em opções retornáveis ou em máquinas de bebidas.

Enfrentar os desafios dos resíduos plásticos e da reciclagem requer pensamento e ação coletivos e colaborativos, incluindo outros atores da indústria, o setor público e a sociedade civil. Embora reconheçamos progresso  em relação às nossas metas para um Mundo sem Resíduos, também estamos comprometidos em fazer mais, e com maior rapidez, para que possamos crescer no nosso negócio da maneira certa“.

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Foto: divulgação Greenpeace/Break Free From Plastic 

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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