“Pátria amada não pode ser pátria armada”, afirma arcebispo durante missa em Aparecida

"Pátria amada não pode ser pátria armada", afirma arcebispo durante missa em Aparecida

No dia em que o Brasil celebra sua padroeira, Nossa Senhora Aparecida, milhares de peregrinos rumaram para o seu Santuário, em São Paulo. E hoje pela manhã, durante uma das cerimônias na Basílica, o arcebispo Dom Orlando Brande resolveu dar um tom político à sua fala, poucas horas antes do presidente Jair Bolsonaro visitar o local. “Vamos abraçar nossos pobres e também, nossas autoridades, para que juntos construamos então um Brasil, pátria amada. E para ser pátria amada não pode ser pátria armada“.

Dom Orlando se refere à letra do Hino Nacional, que menciona “pátria amada”, mas também, à política armamentista do atual governo. Bolsonaro sempre defendeu o uso de armas pela população civil e desde que assumiu a presidência estimulou a posse e o porte (em 2020, o Brasil teve um aumento de 90% nos registros para posse de armas de fogo e o governo acabou com a alíquota de importação de revólveres e pistolas).

Na semana passada, inclusive, o Comitê de Direitos das Crianças da ONU condenou a presença de um menino fardado e ‘armado’ em um evento com Bolsonaro. A denúncia sobre o ocorrido foi feita por mais de 80 organizações da sociedade civil e os integrantes do comitê criticaram a exploração da criança para “a promoção da agenda política” e ressaltaram que casos como esse devem ser investigados, processados e punidos.

Vale lembrar que, das 50 cidades mais violentas do mundo, 17 são brasileiras. O ranking, divulgado em 2018, pela organização mexicana Segurança, Justiça e Paz, analisou centros urbanos com mais de 300 mil habitantes ou maiores, e comparou às taxas de homicídio de 2016.

Incentivar a sociedade a comprar armas e tê-las em casa é transferir para o cidadão comum uma responsabilidade que é do Estado: a de garantir a segurança pública. Ao fazer isso, o governo se exime de um dos seus mais importantes papeis e coloca na mão do outro, literalmente, a defesa da própria vida.

Durante a missa, Dom Orlando Brande destacou ainda o impacto nefasto que a desinformação e a intolerância têm tido sobre o nosso país.

“Para ser pátria amada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira”, completou.

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Foto: reprodução Facebook Santuário Nacional de Aparecida

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em ““Pátria amada não pode ser pátria armada”, afirma arcebispo durante missa em Aparecida

  • 12 de outubro de 2021 em 7:51 PM
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    D. Orlando, mesmo desarmado, demonstrou tamanha coragem em suas palavras, que a Sra. Aparecida homenageada, chegou um pouco mais perto dele, para ouvir seu coração e abençoá-lo.

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