Parque Estadual das Lauráceas, maior Unidade de Conservação de Proteção Integral do Paraná, é vítima de crimes ambientais

Parque Estadual das Lauráceas, maior Unidade de Conservação de Proteção Integral do Paraná, é vítima de crimes ambientais

Criado em 1979, o Parque Estadual das Lauráceas tem sido alvo de violação e destruição. A falta de fiscalização no local faz com que diversas atividades que infringem a legislação ambiental se tornem prática constante.

Localizado entre os municípios de Bocaiúva do Sul, Tunas do Paraná e Adrianópolis, na Região Metropolitana de Curitiba, o parque transformou-se em alvo de ações criminosas. Extração ilegal de palmito juçara, corte de madeira de lei, grilagem de terras e criação de gado são alguns dos crimes registrados. Até mesmo a venda ilícita de áreas de Reserva Legal acontece.

A Reserva Legal, vale explicar, corresponde a uma área de um imóvel rural que é coberta de vegetação nativa e deve ser preservada. Por se tratar de um parque estadual, essa venda estaria ocorrendo em terras públicas ilegalmente.

Conforme a lei brasileira, o percentual da propriedade que deve ser registrado como Reserva Legal varia de acordo com o bioma e a região em questão, sendo: 80% em propriedades rurais localizadas em área de floresta na Amazônia Legal; 35% em propriedades situadas em áreas de Cerrado na Amazônia Legal, sendo no mínimo 20% na propriedade e 15% na forma de compensação ambiental em outra área, porém na mesma microbacia; 20% na propriedade situada em área de floresta, outras formas de vegetação nativa nas demais regiões do país; e 20% na propriedade em área de campos gerais em qualquer região do país.

A razão para a ocorrência de crimes ambientais deve-se, sobretudo, à falta de estrutura dos órgãos responsáveis de fiscalização. Além disso, não existem ações de monitoramento adequadas para avaliar as condições do parque.

O Parque das Lauráceas tem área de, aproximadamente, 32 mil hectares e é considerado a maior Unidade de Conservação na categoria de Proteção Integral do Estado do Paraná.

Parque Estadual das Lauráceas, maior Unidade de Conservação de Proteção Integral do Paraná, é vítima de crimes ambientais

Algumas das espécies animais encontradas no local

O parque está sob a administração do Instituto Água e Terra (IAT) – antigo Instituto Ambiental do Paraná – (IAP). A área possui uma base Avançada de Pesquisa e conta com um posto que, supostamente, funciona 24 horas para serviços de fiscalização e manutenção, mas, atualmente, trabalham no posto para cuidar de todo o parque somente sete funcionários, sendo que dois deles são cedidos pela Prefeitura Municipal de Adrianópolis e os demais pertencem ao quadro de funcionários terceirizados do IAT.

Esses colaboradores terceirizados ocupam as vagas de operador de equipamentos e cuidam da portaria no período diurno e noturno em
regime de escala.

As denúncias da ocorrência dos crimes ambientais flagradas no Parque das Lauráceas foram encaminhadas no final de julho ao Ministério Público Estadual pelo Observatório de Justiça de Conservação (OJC). Fotos e vídeos recebidos pelo OJC atestam alguns dos crimes ambientais que ocorrem no local.

Chegou a ser utilizada uma máquina ou trator de esteira para realizar a derrubada de vegetação nativa em uma Área de Preservação Permanente (APP). Depois, uma estrada de acesso foi aberta no interior do parque. Ocorreu também a abertura de pastagens e a criação de gado e búfalos de
maneira ilegal, o que torna a área extremamente perigosa para as pessoas que acessam a região.

Além disso, a criação desses animais, por não ser regularizada, pode implicar na comercialização de gado sem atender aos controles exigidos pela Vigilância Sanitária. Existe, ainda, um ciclo de desmatamento com a retirada de espécies florestais com possível interesse comercial e a conversão dessas áreas em local para pastagem.

Parque Estadual das Lauráceas, maior Unidade de Conservação de Proteção Integral do Paraná, é vítima de crimes ambientais

Atividades ilegais dentro do parque colocam em risco a fauna

Testemunhas afirmam que, além da violação de legislação ambiental, a prática criminosa se estende a ameaças feitas contra as comunidades quilombolas, que vivem nas proximidades.

O Parque das Lauráceas faz divisa com o estado de São Paulo, ao norte, onde também estão localizadas as comunidades tradicionais quilombolas de João Surá e a comunidade de São João, reconhecidas pela Fundação Palmares, assim como as comunidades Córrego do Franco, Pimentas, Areia Branca e do Estreitinho, que estão em processo de reconhecimento.

Ao ser questionado sobre as ilegalidades que vêm sendo praticadas, o Instituto Água e Terra informou, por meio da assessoria de imprensa, que recebeu a denúncia e que técnicos, juntamente com a Polícia Ambiental, vão fazer a fiscalização no parque. O OJC vai acompanhar a promessa do instituto e continuar atento às denúncias sobre as ilegalidades praticadas no local.

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Fotos: Raphael Mello

Observatório de Justiça & Conservação

O Observatório de Justiça e Conservação (OJC) é uma iniciativa apartidária e colaborativa que trabalha fiscalizando ações e inações do poder público no que se refere à prática da corrupção e de incoerências legais em assuntos relativos à conservação da biodiversidade, prioritariamente no Sul do Brasil, dentre os quais se destacam, a Floresta com Araucária

2 comentários em “Parque Estadual das Lauráceas, maior Unidade de Conservação de Proteção Integral do Paraná, é vítima de crimes ambientais

  • 13 de agosto de 2020 em 5:19 PM
    Permalink

    Olá. É a maior unidade de proteção integral administrada pelo governo estadual. Existem parques nacionais (Iguaçu, Guaricana) e Reserva Biológica (Bom Jesus) federais com áreas maiores, porém feridas pelo ICMBio.

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    • 13 de agosto de 2020 em 11:16 PM
      Permalink

      Oi Caio,
      Sim, está explicado no texto da matéria.
      Obrigada pela mensagem.
      Abraço,
      Conexão Planeta

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