Paranaenses e turistas agora podem visitar a Reserva Natural Guaricica, no coração da Mata Atlântica, lar de espécies em risco de extinção, como a onça-pintada

Paranaenses e turistas agora podem visitar a Reserva Natural Guaricica, no coração da Mata Atlântica, lar de espécies em risco de extinção, como a onça-pintada

A Reserva Natural Guaricica fica situada no município de Antonina, no litoral do Paraná, a cerca de 100 km da capital do estado, Curitiba. Parte de um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do país, a área, que era um propriedade particular e tinha sido transformada em pasto para búfalos, foi comprada no final da década de 90 pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). Com a permissão dos órgãos públicos e com o objetivo de ser restaurada, ela virou uma Unidade de Conservação.

Até bem recentemente, apenas cientistas, pesquisadores e profissionais de conservação tinham acesso a ela, mas agora, turistas também poderão visitar e conhecer um pouco mais suas belezas e biodiversidade e sua linda história de recuperação.

Ao longo dessas três últimas décadas foram plantadas quase 1 milhão de mudas de árvores nativas. Pouco a pouco, o que era pasto foi dando lugar novamente à floresta. E nela, espécies de animais, alguns ameaçados de extinção, voltaram a aparecer. Antas, onças-pardas, jaguatiricas, cotias e iraras podem ser observados atualmente em meio à vegetação.

“Nada menos que 1.500 hectares de áreas naturais estão em processo de restauração. Este trabalho foi feito pelas mãos de moradores locais, que, antigamente, trabalhavam nas fazendas que foram adquiridas. O conhecimento tradicional trazido por essas pessoas, aliado ao científico, foi fundamental para hoje aproveitarmos conquistas dignas de serem celebradas”, afirma Reginaldo Ferreira, coordenador das atividades das reservas da SPVS.

Além de Guaricica, a organização comprou ainda outras duas propriedades e também as transformou em áreas de preservação, a Reserva Natural das Águas, no mesmo município de Antonina, e a Reserva Natural Papagaio-de-cara-roxa, em Guaraqueçaba.

“As reservas fazem parte de um mosaico maior, composto por outras Unidades de Conservação como Parques Nacionais, Estações Ecológicas e outras importantes áreas de proteção ambiental. A abertura das Reservas Naturais da SPVS para o público, iniciando com Guaricica, representa mais um importante passo na consolidação dessas áreas inseridas na região da Grande Reserva Mata Atlântica”, diz Clóvis Borges, diretor-executivo da SPVS.

Inicialmente, os turistas só poderão conhecer Guaricica entre os meses de abril e outubro, de quarta a sábado. Para visitar a reserva, é necessário fazer agendamento. Serão aceitos grupos de no máximo seis pessoas, e há dois horários disponíveis: 9h às 12h e 14h às 17h. O custo por pessoa é de 40 reais.

Os visitantes serão acompanhados por um guia que contará a história de recuperação do local e dados curiosos, que revelam, por exemplo, que graças ao seu reflorestamento, a reserva estoca cerca de 700 mil toneladas de carbono, por ano, auxiliando na redução dos impactos das mudanças climáticas.

O passeio à Guaricica inclui ainda uma trilha com duração de uma hora.

“Esperamos que as pessoas também possam renascer quando, finalmente, saírem dessa experiência traumática causada pela covid-19 e pelas crises que sucederam o problema. Precisamos respirar natureza para entender a importância que ela ocupa em nossas vidas. Já não há mais tempo de não priorizarmos o cuidado e a proteção das áreas naturais”, acredita Borges.

A intenção da SPVS é no futuro também abrir à visitação pública as Reservas Natural das Águas e Papagaio-de-cara-roxa.

Para quem ficou interessado em visitar Guaricica, em Antonina – um município considerado Patrimônio Cultural Nacional -, o link para o agendamentos dos tours guiados está aqui.

Abaixo, um vídeo que mostra mais das belezas que a partir de agora, poderão ser apreciadas por todos:

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Fotos: divulgação SPVS

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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