Para salvar sua casa e os animais, menino de cinco anos oferece ajuda a bombeiros no combate ao fogo no Pantanal

Para salvar sua casa e os animais, menino de cinco anos oferece ajuda a bombeiros no combate ao fogo no Pantanal

Ao ver o fogo se aproximando de sua casa, em uma colônia de pequenos agricultores, em Paiaguás, São Domingos, em Corumbá, o pequeno Davi, de cinco anos, rapidamente pegou um balde e um latão de alumínio e foi ao encontro aos bombeiros para oferecer ajuda. Tocou o coração de todos que combatiam as chamas nessa região do Pantanal, incluindo seu pai, brigadista voluntário.

A história viralizou rapidamente nas redes sociais, no último sábado, com uma foto do garoto com o cabo Lucas Vinicius Lima Cavalcante, de 26 anos. Ele contou que Davi chegou até eles e disse que queria salvar sua casa, a natureza e os animais. Encheu o balde de água diversas vezes, sem parar.

“Disfarcei o choro na fumaça”, revelou. “Ele pegou o balde e foi lá falar conosco. Um menino de apenas cinco anos. Estava ali, ajudando o pai dele, no combate aos incêndios para não atingir a casa deles. E ele não parava. Jogava o balde de água e falava da escola, em trabalhar. Sou pai também. Senti uma emoção muito grande vendo aquilo e aí deu para disfarçar o choro por conta da fumaça que tinha lá”.

Nas redes sociais, Cavalcante ainda contou que Davi é “filho de um senhor, que leva o mesmo nome dele”, e que na região moram várias famílias, de colônias diversas – distantes cerca de 10 km uma da outra -, num local que não tem energia, onde a água vem do poço, e com “um pouco de gado”.

De acordo com o bombeiro, para chegar ao local o grupo rodou 220 km de estrada e trabalhou duro.

“Os bombeiros estão em peso em várias áreas do Pantanal, como em Corumbá e Coxim, por exemplo. Neste caso, para chegar nessas colônias, fomos de aeronave e extinguimos todos os focos. A região ficou toda queimada em volta, mas, as casas nós conseguimos proteger e os moradores lá ajudam a fazer o monitoramento em um quadrante de 1 mil a 2 mil hectares”, explicou ao G1. 

“O apreço de uma criança renova as nossas forças”

Para salvar sua casa e os animais, menino de cinco anos oferece ajuda a bombeiros no combate ao fogo no Pantanal
Davi com o tenente Marzolla – Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

Em nota, o tenente-coronel Leandro Moura Marzolla, de 40 anos – que trabalha há 18 anos no Corpo de Bombeiros e é comandante da Operação Hefesto -, contou que Davi apareceu no momento em que o fogo chegava próximo à sua casa.

“Ele falou para os pais que queria ajudar os bombeiros, e que o sonho dele era ajudar a salvar a natureza e os animais. Para a gente, é motivo de satisfação, numa situação que exige tanto esforço e dedicação do Corpo de Bombeiros, ter essa demonstração de apreço de uma criança renova as nossas forças para seguir no combate e cumprir a árdua missão de vidas alheias, natureza e riquezas salvar”. E completou:

“As crianças gostam muito do quartel, sempre passam a mão e acenam para as viaturas. Só que, neste caso, foi uma criança que fica mais isolada e nos impressionou pelo fato dele se propor a ajudar. Isso deu renovação de ânimo para a equipe, que está lá há alguns dias, então, essa atitude é um alívio para todos nós”.

Seca histórica e 681 mil hectares queimados

Segundo a assessoria do Corpo de Bombeiros, desde 30 de agosto dez militares estão na região para conter focos de incêndio, que atingiram aproximadamente 3,8 mil hectares da região. Seguem monitorando a área para evitar que o fogo volte e combatendo novos focos.

O Pantanal está sendo consumido pelo fogo desde julho, quando – entre os dias 1 e 10 – foram detectados 270 focos de calor em todo o bioma, segundo o instituto SOS Pantanal. Em agosto, haviam sido consumidos cerca de 261,8 mil hectares este ano, que era a maior área devastada da média histórica, com 1.380 novos focos de calor em todo o bioma – uma área de 74.950 hectares consumidos pelo fogo, equivalente a quase 75 mil campos de futebol“, declarou o instituto.

No entanto, cerca de quinze dias depois, em 8 de setembro, o último boletim do instituto divulgou outro dado alarmante: 681 mil hectares queimados, ou seja, quase o triplo de área devastada pelo fogo.

Trata-se de uma seca histórica no Pantanal, intensificada pelas altas temperaturas, que facilitam a dispersão das chamas. O fogo se alastra na região do Porto Jofre – na área do Parque Estadual Encontro das Águas, ao norte do Pantanal. Esse parque tem a maior concentração de onças-pintadas do mundo, e, no ano passado, teve 86% de sua área consumida pelo fogo.

De acordo com boletim do SOS Pantanal, divulgado em 24 de agosto, “o nível do Rio Paraguai está chegando a níveis nunca antes vistos para esta época do ano. No ano passado (ano em que enfrentamos a pior seca dos últimos 47 anos), em 24/08/20 o nível do rio em Cáceres – MT estava em 67 cm. Hoje, o rio está em 37 cm. Ou seja, está muito menor do que no ano passado, que já foi extremamente seco“.

Os principais focos de incêndio estavam no Mato Grosso do Sul, na Terra Indígena Kadiwéu e na região de Porto Murtinho. No Mato Grosso os maiores focos foram registrados em Poconé e Cáceres, além da Chapada dos Guimarães. Há cerca de duas semanas, “incêndio de grandes proporções” atingiu a região da Transpantaneira, em Poconé.

Com informações do G1, Campo Grande News e perfis no Instagram

Foto: Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul/Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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