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Para salvar da extinção as espécies animais mais raras do mundo, cientistas congelam células e tecidos vivos em biobanco

Para salvar da extinção as espécies animais mais raras do mundo, cientistas congelam células e tecidos vivos em biobanco

A atividade humana está causando a sexta extinção em massa na Terra, o que representa a maior perda de biodiversidade prevista em 65 milhões de anos. 

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN – International Union for Conservation of Nature), hoje, mais de 40 mil espécies são consideradas ameaçadas de extinção em diferentes níveis. No entanto, esse número está muito aquém da realidade visto que, do total de espécies existentes no mundo, apenas 7% foi descoberta e avaliada.

Mas estima-se que 1 milhão de espécies de animais e plantas estão em risco de desaparecer e muitas podem ser perdidas em apenas algumas décadas. Além disso, à medida que a população de uma espécie diminui, maior o risco de endogamia (quando os pais são parentes), o que pode causar doenças genéticas de fácil transmissão .

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Uma catástrofe que ameaça o equilíbrio natural do planeta e, por consequência, a sobrevivência de nossa espécie.

Por isso, cientistas do Chester Zoo, localizado no norte da Inglaterra, se uniram a alguns dos principais especialistas em reprodução animal e criobiólogos, que atuam no Nature’s SAFE, um dos maiores biobancos de células vivas da Europa e o maior do Reino Unido, capaz de armazená-las a longo prazo.

O objetivo do The Living Biobank é salvar do risco de extinção as espécies animais mais raras do planeta, congelando suas células e tecidos vivos para regeneração futura, como destaca seu slogan: Saving Animals From Extinction (Salvando Animais da Extinção).

Congelar para regenerar

Usando tecnologias de ponta e com base na técnica da criogenia, os conservacionistas congelam pequenas amostras de tecidos de ovários, testículos e orelhas de animais muito idosos e doentes ou que morrem no zoológico, a temperaturas de -196°C, usando nitrogênio líquido. 

Para salvar da extinção as espécies animais mais raras do mundo, cientistas congelam células e tecidos vivos em biobanco

“Com pools de genes e populações de animais diminuindo continuamente na natureza, o trabalho de zoológicos de conservação modernos como o nosso nunca foi tão importante”, explica a Dra. Sue Walker, chefe de ciência do zoológico de Chester e cofundadora do Nature’s SAFE, no site da instituição. 

“Tecnologias, como a criopreservação, nos oferecem uma peça nova e crítica do quebra-cabeça da conservação e nos ajudam a proteger muitos dos animais do mundo que, no momento, infelizmente estamos prestes a perder”, complementa a especialista.

Os cientistas garantem que, com os avanços tecnológicos, será possível gerar espermatozóides e óvulosrestaurando a diversidade genética perdida. Ou seja, usando métodos de última geração para preservar as células de forma a permitir que sejam descongeladas e usadas para produzir gestações, restaurando espécies animais ameaçadas de extinção.

Em seu site, a Nature’s SAFE destaca que, por meio de seu Living Biobank, a iniciativa tem “a missão de preservar esses animais para as gerações futuras e contribuir para realizar nossa visão de um planeta saudável”. 

No mês passado, a organização assinou Memorando de Entendimento com a Associação Europeia de Jardins Zoológicos e Aquários para atuar como o primeiro centro numa nova Rede de Criopreservação que reúne jardins zoológicos e institutos dedicados à criopeservação.

Em sua página no Facebook, contou que “o biobanco EAZA armazena material como sangue e tecido para a genética, mas não tem capacidade para oferecer criopreservação, por exemplo. É onde entramos”.

Solução para a crise global da biodiversidade

Hoje, o Nature’s SAFE criopreserva diversos tipos de células de 100 animais altamente ameaçados – devido principalmente à caça, ao tráfico e à degradação de seus habitats.

Para salvar da extinção as espécies animais mais raras do mundo, cientistas congelam células e tecidos vivos em biobanco
Pega verde de java – Foto: Stephen Bulk/Pixabay

Entre eles estão:
– o rinoceronte negro oriental (há menos de mil indivíduos na África),
– o sapo-da-montanha, a onça-pintada (o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo),
o orangotango (das florestas tropicais da Ilha de Bornéo e Sumatra),
– a pega verde de Java e a
civetta de Owston (animal nativo do Vietnã, Laos e sul da China, que habita a lista vermelha da IUCN devido ao declínio de mais de 50% nas últimas três gerações).

Todos ameaçados devido à exploração excessiva, destruição e degradação de habitats

Para Jon Paul Rodriguez, presidente da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN, “como um dos principais zoológicos de conservação do mundo, o Chester Zootem um papel especial a determinar a crise global da biodiversidade”. Ele pode ajudar a interromper a perda de biodiversidade.

Em seu site, o Chester Zoo mantém um relatório no qual descreve detalhadamente sua luta para prevenir a extinção. Vale a leitura.

Para salvar da extinção as espécies animais mais raras do mundo, cientistas congelam células e tecidos vivos em biobanco
Orangotango das florestas tropicais da Ilha de Bornéo e de Sumatra / Foto: Chester Zoo, reprodução do site
Rinocerontes negros do oriente: restam apenas mil indivíduos na África / Foto: Chester Zoo, reprodução do site
Sapo da montanha / Foto: Chester Zoo, reprodução do site

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Foto: Onça-pintada negra, Chester Zoo/Divulgação

Fontes: Chester Zoo, Nature’s SAFE (sites e redes sociais), BBC, Europe News

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