Papa Francisco faz apelo a líderes mundiais para que garantam “vacina para todos”

No dia de Natal, antes de conceder a bênção Urbi et Orbi (também realizada na Páscoa), o Papa Francisco transmitiu sua tradicional mensagem natalina, dirigindo-a às populações mais atingidas pela crise ecológica, social e econômica agravada pela pandemia do novo coronavírus.

A cerimônia não aconteceu na sacada da Basílica de São Pedro, como era de costume até 2019, mas na Sala das Bençãos, com transmissão ao vivo.

A Praça São Pedro não está fechada, mas as pessoas estão proibidas de circular devido ao lockdown decretado pelo governo nos dias de festividades e celebrações.

Foto: Vatican Media

Fratelli Tutti

Desta vez, a mensagem teve como fio condutor a última Encíclica publicada pelo Papa Francisco, Fratelli Tutti ou Fraternidade para Todos. Para ele, este momento histórico marcado por tantos desequilíbrios – ecológicos, econômicos e sociais – e agravados com a covid-19, a prática da fraternidade é mais necessária do que nunca. 

“Não uma fraternidade feita de ideais abstratas, mas baseada no amor real, capaz de compadecer-me dos sofrimentos alheios, mesmo que o outro não seja da minha família, da minha etnia, da minha religião”. E completou: “O nascimento é sempre fonte de esperança, é vida que desabrocha, é promessa de futuro. E este Menino – Jesus – nasceu para nós: um nós sem fronteiras, sem privilégios nem exclusões“.

Assim, o Pontífice se dirigiu, primeiro, aos doentes e a todos que estão sem emprego ou passam por graves dificuldades financeiras. Falou às mulheres que, nestes meses de confinamento, têm sofrido com a violência de seus parceiros.

Vacina para todos

Maggie Keenan, de 90 anos, foi a primeira pessoa da Inglaterra a receber a vacina
contra o coronavírus
/ Facebook NHS England and NHS Improvement

Papa Francisco destacou a descoberta das vacinas, chamando-as de “luzes de esperança“, rezou para que “o nacionalismo, o individualismo e a lei de mercado” não impeçam que todos sejam vacinados e fez um apelo aos grandes líderes mundiais:

“Que o filho de Deus renove nos dirigentes políticos e governamentais um espírito de cooperação internacional, a começar pela saúde, para que todos tenham acesso a vacinas e tratamentos. Diante de um desafio que não conhece fronteiras, não podemos erguer muros. Todos nós estamos no mesmo barco”.

Na verdade, alguns estão em transatlânticos e, outros, em botes, meio à deriva. Essa é a realidade. Por isso, a preocupação do Papa. Afinal, para que tragam esperança ao mundo inteiro, as vacinas devem estar ao alcance de todos. Não podemos nos colocar em primeiro lugar, antes dos outros”.

E completou: “Vacinas para todos, principalmente para os mais vulneráveis e necessitados do planeta!“.

Guerras, terrorismo e desastres naturais

Pediu pelas crianças que, em todo o mundo, especialmente na Síria, Iraque Líbia, Israel, Palestina, Líbano e Iémen, ainda pagam o alto preço da guerra. O Papa ainda citou Nagorno-Karabakh e as regiões orientais da Ucrânia e países africanos como Burkina Faso, Mali, Níger e Etiópia.

E ainda dirigiu um pensamento especial à Cabo Delgado, em Moçambique, onde muitas pessoas “são vítimas da violência do terrorismo internacional”, e ao Sudão do Sul, Nigéria e Camarões, convidando todos a “seguirem pelo caminho da fraternidade e do diálogo”.

Para a América Latina, fez votos de esperança, já que foi especialmente afetada pelo coronavírus, “que exacerbou os inúmeros sofrimentos que a oprimem, muitas vezes agravados pelas consequências da corrupção e do narcotráfico”. Destacou o Chile e a Venezuela, devido às tensões sociais e à imposição de tanto sofrimento por seu governo, respectivamente.

Citando a Ásia, pediu a proteção de Deus às populações atingidas por desastres naturais, como Filipinas e Vietnã, lembrando do povo Rohingya. Disse: “Jesus, nascido pobre entre os pobres, leve esperança às suas tribulações”.

Alegria e esperança

Para finalizar sua mensagem deste ano, o Papa Francisco lembro que “resignar-se à violência e à injustiça significaria recusar a alegria e a esperança do Natal”.

Dirigiu, então, uma saudação particular “a todas as pessoas que não se deixam subjugar pelas circunstâncias adversas, mas esforçam-se por levar esperança, consolação e ajuda, socorrendo quem sofre e acompanhando quem está sozinho”.

E desejou que todos, independente de estarem ou não com suas famílias e amigos queridos, procurassem enxergar o Natal como “a ocasião propícia para redescobrirem a família como berço de vida e de fé”.

Foto (destaque): Reprodução vídeo do Vaticano

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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