Pantanal sofre com incêndios: focos de calor no primeiro semestre já são os mais altos dos últimos 20 anos

Pantanal sofre com incêndios: focos de calor no primeiro semestre já são os mais altos dos últimos 20 anos

Os pantaneiros estão acostumados com a temporada das queimadas na região, que normalmente, começa em agosto e vai até outubro. O clima nessa época do ano fica mais seco, sem chuvas e os ventos são mais fortes. Entretanto, estamos ainda em julho e os incêndios já começaram. Na verdade, em março, a Nasa havia divulgado imagens de focos de incêndio “fora de hora” no Pantanal.

Mas nas semanas passadas a situação se agravou. Nos últimos dias, a média da temperatura no Mato Grosso do Sul beirou os 35o graus. Há previsão de que atinja os 37o. Com o calor e a falta de chuva, qualquer fagulha de fogo vira estopim para incêndios de grandes proporções no Pantanal.

E é o que vem acontecendo nas últimas semanas. Mas com uma intensidade nunca antes vista. Especialistas já tinham alertado que as previsões indicavam que 2020 seria um dos anos mais secos para o Pantanal. E de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a quantidade de focos de calor no primeiro semestre deste ano foi um recorde, a maior registrada nas últimas duas décadas, desde 1998, quando o órgão começou a fazer essas medições.

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Sobrevoo para monitorar áreas mais afetadas

Nos seis primeiros meses deste ano foram 3.623 mil focos de calor para todo o estado do Mato Grosso do Sul, um aumento de 88% em relação ao primeiro semestre de 2019.

Apenas em julho, até agora, o Inpe registrou 972 focos de calor ativos no Pantanal do Mato Grosso do Sul. O número é 96% maior ao observado no mesmo mês – inteiro – do ano passado.

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Fumaça pode ser vista de muito longe

A situação é preocupante porque o governo federal já havia decretado, em 15 de julho, uma moratória do fogo, proibindo queimadas por 120 dias na região. O que ocorre é que muitos produtores colocam fogo em suas propriedade para “limpar” o solo e assim, podem plantar novamente.

Todavia, como a área do Pantanal é muito extensa, a fiscalização sobre a realização de queimadas, agora proibidas, é muito difícil, relatam moradores locais.

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Muitos produtores colocam fogo para limpar o pasto

Uma das estratégias que as equipes de combate ao fogo têm adotado é bombear água para resfriar o solo e assim, evitar que a vegetação fique muito seca e se torne combustível para os incêndios.

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Por causa do tempo seco, o fogo se espalha mais facilmente

Vários órgãos estão unindo forças para tentar controlar os focos de incêndio, entre eles o Ibama, o Corpo de Bombeiros Militar, a Polícia Militar Ambiental e o Instituto Homem Pantaneiro. Eles sobrevoam a região para detectar as áreas mais atingidas e também utilizam imagens de satélite. A Marinha também está auxiliando com barcos para que se possa chegar até pontos mais distantes.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros de Corumbá, município na fronteira entre o Mato Grosso do Sul e a Bolívia, em apenas sete dias, foram destruídos mais de 34 mil hectares de vegetação – o equivalente a cerca de 34 mil campos de futebol.

Muitos animais têm sido encontrados sem vida, mortos pelo fogo ou asfixiados pela fumaça.

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Jacaré encontrado morto por causa das queimadas

Em 2019, o Pantanal também sofreu com os incêndios. Dados do Inpe mostraram que no ano passado houve um salto de 493% nos focos de queimada, seis vezes maior do que em 2018 (leia mais aqui).

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Flagrante feito em abril: o fogo itlumina o céu escuro do Pantanal

*Com informações do Instituto Homem Pantaneiro, do portal de notícias G1 e Folha MS

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Fotos: Instituto Homem Pantaneiro

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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