Pankararu e os Encantados do Sertão

Certa feita, em 2014, no Sertão de Pernambuco, próximo ao rio São Francisco, conheci um dos rituais mais fascinantes a que assisti na vida: o Toré, comandados pelos Praiás, numa aldeia indígena Pankararu

Os Encantados são as figuras centrais do ritual, identificados pelos Praiás, indumentárias feitas de palha da palmeira de Aricuri.

O que vi foi extraordinário. Em um grande círculo contínuo, mais de 100 Encantados se movimentavam sem parar, flutuavam com a poeira que subia do chão no semiárido

Aquela cena encantou meus olhos, fazendo com que eu entrasse em uma espécie de transe fotográfico.

Parei apenas quando me chamaram a atenção. Daquele momento em diante, eu não poderia mais fotografar, pois os Encantados iam se reunir e precisavam de privacidade. 

Esse ritual me fascina até hoje e me faz sonhar com a volta à cidade de Tacaratu, pra me reencontrar com os Encantados do Sertão e com os Praiás que são o principal elemento da cultura material dos Pankararu. 

Eles também usam cocares de penas de Peru e ainda são enfeitados com tecidos coloridos e adornados com simbologias cristãs. Nas mãos, levam o Maracá para marcar o compasso de suas danças.

Selecionei algumas imagens do meu arquivo que revelam a força e a energia desse encontro.

Edição: Mônica Nunes

Renato Soares

Fotógrafo e documentarista especializado no registro de povos indígenas, bem como da arte, cultura e biodiversidade do país. Mineiro, desde 1986 realiza viagens para retratar formas de expressão cultural dos grupos étnicos brasileiros. Colaborador do blog Por Trás das Câmeras, Renato descreve o que chama de "Diário de Campo". É autor ainda do blog Ameríndios do Brasil, mesmo nome do seu projeto de fotografia com os índios

Um comentário em “Pankararu e os Encantados do Sertão

  • 7 de março de 2021 em 12:32 PM
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    Renato, quando eu tinha por volta de 11 anos visitei com os meus pais a cidade de Pedra de Delmiro Gouveia onde ficava a cachoeira de Paulo Alonso. Ficamos na fazenda de um amigo de meu pai e uma noite fomos assistir a um Tore. Me lembro que me impressionou muito. Me lembro que eles usavam urtiga, batiam uns nas costas dos outros com as folhas de urtiga. Me impressionou muito. Nao entendia o que estava acontecendo. Senti que era algo importante. Quando vi as suas fotos me lembrei logo da poeira que subia da terra durante a danca do Torre. Quando estudante fiz muitas cadeiras em antropologia e me graduei em danca. Suas fotos sao belissimas, obrigada.

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