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“Países ricos têm débito na emissão de carbono e precisam pagar essa dívida”, diz Lula na Inglaterra

"Países ricos têm débito na emissão de carbono e precisam pagar essa dívida", diz Lula na Inglaterra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no final de semana na Inglaterra onde participou da cerimônia de coroação do Rei Charles III, na Abadia de Westminster. Ele aproveitou a oportunidade para encontrar líderes locais e também, conversar com presidentes de outros países. Na sexta-feira, em encontro com o primeiro-ministro Rishi Sunak, foi anunciada a doação do Reino Unido de R$ 500 milhões para o Fundo Amazônia.

Lula contou ainda que na recepção que participou na noite anterior à coroação, no Palácio de Buckingham, a primeira coisa que o rei disse para ele foi para que cuidasse da Amazônia. A o que o presidente respondeu: “Eu preciso de ajuda, não é só a nossa vontade. É preciso ajuda e muitos recursos”.

Em entrevista coletiva a jornalistas brasileiros no sábado no final do dia, Lula falou mais sobre os planos do governo em relação à conservação da Amazônia, região onde moram cerca de 25 milhões de pessoas.

“Ao discutir a preservação das florestas, precisamos discutir também uma vida digna para quem vive na região. Podemos criar uma indústria verde para, além de não poluir, gerar recursos para o desenvolvimento. É importante levar muito a sério a questão climática”, disse.

O presidente reforçou a questão conhecida como o “financiamento climático”. Os US$ 100 bilhões anuais de 2020 a 2025 prometidos durante a COP15, em Paris, pelos países desenvolvidos como forma de ressarcir os mais pobres pelas emissões feitas no passado.

Durante séculos as chamadas grandes economias mundiais usaram e abusaram dos recursos naturais do planeta para promoverem seu desenvolvimento. Trabalho escravo, minérios, madeira e outros bens vindos de terras distantes foram o que impulsionaram o crescimento dos até então “grandes impérios”.

Muitos anos mais tarde, a ciência mostra que essa exploração sem freios deixou um impacto na Terra: as emissões de gases de efeito estufa provenientes das atividades humanas têm elevado a temperatura global a níveis sem precedentes e aumentado a frequência e a intensidade dos extremos climáticos, como enchentes, furacões, secas e incêndios florestais, que tem afetado em maior escala as nações mais pobres e vulneráveis.

“[Os países ricos] precisam compreender que eles têm um débito na emissão de gás carbônico. E portanto, eles têm que adiantar um recurso, pagando essa dívida, para que a gente possa preservar a nossa floresta”, afirmou Lula. “Eles destruíram suas próprias florestas e precisam ajudar na preservação do meio ambiente”.

A intenção do presidente é se reunir com governantes de todas as nações amazônicas para traçar um plano de proteção conjunto.

“É preciso que a gente tome uma decisão comum. Porque não adianta o Brasil preservar só a nossa, que nós vamos preservar. Nós vamos cumprir a promessa que nós fizemos de acabar com o desmatamento até 2030. Isso é quase que uma questão de honra”, destacou.

Durante a próxima Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP28, a ser realizada nos Emirados Árabes, o governo brasileiro também pretende lutar pela questão da reparação climática.

“Desde a COP 15, que eu participei quando era presidente, que os países ricos prometem dinheiro, prometem fundo. Mas a verdade é que esse fundo de US$ 100 bilhões nunca aparece”, criticou o presidente.

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Foto de abertura: Ricardo Stuckert/PR

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