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Pai, mãe e filho morrem no tiroteio no Texas: mais de U$ 1,8 milhão foi doado para único sobrevivente

Só em 2023, já são 220 tiroreitos nos EUA

É assustadora a escalada dos crimes realizados com armas nos Estados Unidos, os chamados “mass shootings”, quando mais de quatro pessoas são assassinadas no mesmo local por um atirador. Só em 2023, até este começo de maio, já são 220 tiroteios com dezenas de vítimas, segundo o Gun Violence Archive. No ano passado, foram 647.

Com um lobby fortíssimo da indústria de armas no país e representantes do partido republicano defendendo o seu uso pela população, na última década, o número dessas tragédias só fez aumentar. Em 2014 foram registrados 273 desses tiroteios. Cinco anos depois, eles já passavam de 400.

O mais recente massacre aconteceu no sábado, 06/05, num shopping aberto, na cidade de Allen, no Texas. Um homem de 33 anos, que nas suas redes sociais endossava o movimento nazistas, usou um rifle semiautomático AR-15 e matou oito pessoas. Outras vítimas foram levadas para um hospital, algumas em estado crítico, entre elas, uma criança de cinco anos.

Um policial que estava no local conseguiu matar o atirador. Dentro do carro do assassino foram outras armas e munição.

Pouco a pouco os Estados Unidos vão conhecendo a identidade das oitos pessoas que perderam a vida de forma estúpida e revoltante naquela tarde no Texas. A jovem Aishwarya Thatikonda, de 27 anos, tinha se mudado para o país cinco anos atrás para fazer um mestrado. As meninas Daniela e Sofia Mendoza eram irmãs e ainda estavam no Ensino Fundamental, no segundo e quarto ano.

E há ainda a família Cho. Cindy, Kyu, William e James eram americanos de descendência coreana. O marido tinha 37 anos, a esposa 35, o filho mais novo três e o mais velho, William, tinha completado seis anos poucos dias antes.

O único que sobreviveu à tragédia foi William.

“Uma tarde que deveria ter sido cheia de luz, amor e celebração infelizmente foi interrompida por outro massacre a tiros que deixou oito mortos. Cindy, Kyu e James estão entre as vítimas que perderam suas vidas tragicamente e a família está de luto profundo. Depois de receber alta da UTI, seu filho de seis anos, William, é o único sobrevivente deste terrível evento”, relatam familiares e amigos, que criaram uma campanha para arrecadar dinheiro.

Em apenas poucas horas, mais de 36 mil pessoas já fizeram doações na página da GoFundMe. O valor atingido só até este momento chega a mais de US$ 1,8 milhão.

Apesar de tanta tristeza, um momento de esperança. A comoção de desconhecidos perante a morte brutal de tantas pessoas e de um menino que perdeu os membros mais próximos de sua família para a estupidez de uma política que preza a “liberdade do indivíduo de portar armas”.

Texas x armas

O Texas têm um histórico bastante ligado à posse e ao porte de armas. Não sem surpresa, é um estado considerado republicano.

Há pouco mais de uma semana, Francisco Oropesa matou cinco vizinhos em Cleveland, próximo de Houston. O que o motivou a cometer o assassinato foi o pedido de que ele parasse de atirar com seu rifle no quintal, já que havia um bebê na casa ao lado tentando dormir.

Oropesa disparou sua arma contra os vizinhos – três mulheres, um jovem de 18 anos e um menino de 9. Todos eles, inclusive o assassino, eram imigrantes vindos de Honduras.

O que há em comum com a tragédia do shopping em Allen? Ambos os criminosos conseguiram comprar, sem problema algum, um rifle AR-15.

E quase há um ano atrás, em 24 de maio de 2022, o Texas foi palco de outro mass shooting. Um jovem de 18 anos entrou numa escola primária em Uvalde e matou 21 pessoas – 19 delas eram crianças.

Ontem, 08/05, manifestantes foram até a Assembleia Legislativa do estado protestar contra a política que facilita o acesso a armas. Surpreendentemente, uma proposta de lei foi votada para fazer com que a compra de rifles do tipo AR-15 só seja permitida para maiores de 21 anos.

Para seguir adiante e se tornar lei, ainda há um longo processo e muitos acreditam que a maioria republicana não irá dar o aval para tal.

Mesmo assim, ainda parece um passo muito tímido para enfrentar essa terrível realidade americana, em que cidadãos saem de casa e temem não voltar depois de se deparar com algum atirador armado, que acordou naquele dia decidido a acabar com a vida de outras pessoas.

*Texto atualizado em 13/03/23

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Foto de abertura: reprodução GoFundMe

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