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Orquídeas surgiram na Laurásia, quando os dinossauros ainda andavam sobre a Terra

Orquídeas surgiram na Laurásia, quando os dinossauros ainda andavam sobre a Terra

Dentro da Botânica, a família das orquídeas é chamada de Orchidaceae. É uma das mais numerosas do reino vegetal. O número de espécies conhecidas dela – estimado em torno de 29.500 -, é três vezes maior do que de aves. E essas flores possam ser observadas em praticamente todo o globo terrestre, inclusive no Círculo Polar Ártico, a grande maioria delas se encontra em regiões tropicais, como o Brasil.

Por ser tão resiliente e admirada pelo ser humano, a orquídea sempre exerceu fascinação sobre botânicos. Sobretudo, seu processo de evolução, já que elas compartilharam a Terra com seres tão antigos como os dinossauros. E um novo estudo acaba de revelar um pouco mais sobre o seu passado.

Segundo a análise divulgada por um grupo de pesquisadores de vários países na publicação New Phytologist, um ancestral comum das orquídeas atuais surgiu há cerca de 85 milhões de ano, na Laurásia, um continente hipotético que teria existido, formado pelo que hoje conhecemos como América do Norte, Europa e Ásia. Juntamente com Gondwana ao sul, eles seriam parte de uma massa única, chamada Pangeia.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas montaram a mais minuciosa árvore genealógica das orquídeas, que inclui quase 40% de todos os gêneros conhecidos. Isso foi possível através da obtenção de sequenciamento genético de espécies de diversos países. Muitas delas pertencem ao Royal Botanic Gardens, Kew, (RBG), de Londres, que abriga a maior e mais diversa coleção de espécies botânicas do mundo.

“Tive o privilégio de extrair DNA de amostras que vão daquelas recentemente coletadas por vários botânicos de campo envolvidos nesta pesquisa, remontando a botânicos como Alexander Carroll Maingay e Erik Leonard Ekman que estavam explorando os trópicos e neotrópicos do Velho Mundo nos séculos XIX e Séculos XX”, diz Natalia Przelomska, professora da Escola de Botânica da Universidade de Portsmouth e pesquisadora do RBG.

Todavia, apesar de gerar novo conhecimento sobre essas plantas tão fascinantes, os pesquisadores também alertam para o fato de que espécies de orquídeas estão sendo extintas a um ritmo alarmante. Aproximadamente 56% delas estão ameaçadas – entre os principais responsáveis estão desmatamento, crise climática e comércio ilegal.

Para os botânicos envolvidos no estudo, ao compreender melhor como os ramos individuais da árvore genealógica das orquídeas nasceram e como todos eles se conectam ajudará a entender melhor a biodiversidade dessas plantas e seus padrões de especiação – o processo evolutivo pelo qual as populações se desenvolvem em espécies distintas.

“As orquídeas não são apenas joias extraordinárias da natureza, elas também guardam mistérios incalculáveis sobre a vida na Terra: como as espécies evoluem, se adaptam e se movem. Salvaguardar o seu futuro é fundamental para proteger as interações complexas que desempenham nos ecossistemas e garantir que essas histórias possam um dia ser reveladas pela ciência”, acredita o brasileiro Alexandre Antonelli, diretor de Ciência do RBG Kew e autor sênior do estudo.

*Com informações e entrevistas contidas no texto de divulgação da Universidade de Portsmouth

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Foto de abertura: André Karwath aka Aka via Wikimedia Commons

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