Organizações do Brasil e exterior se unem em alerta sobre comércio de araras brasileiras

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*Texto atualizado às 13:10 para incluir a declaração do Ministério do Meio Ambiente sobre a proposta de comercialização de araras brasileiras

Vinte e uma organizações do Brasil e do exterior enviaram uma carta para representantes da Comissão Europeia e da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES) pedindo o veto para a proposta que defende o incentivo ao comércio internacional de araras brasileiras.

Conforme foi trazido ao conhecimento público pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), entre os assuntos que serão discutidos na semana que vem na próxima reunião do CITES, em Genebra, na Suíça, está uma recomendação para o estímulo à comercialização da ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), como “forma de financiar o trabalho de conservação e garantir populações de reserva”.

Na carta, os signatários relatam várias atividades realizadas recentemente pela Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP). O criadouro particular de aves da Alemanha é parceiro do governo brasileiro no programa de reprodução em cativeiro da ararinha-azul e é quem construiu e financia a manutenção do refúgio de Curaçá (leia mais aqui).

Segundo relatado pela Renctas, 26 ararinhas-azuis e quatro araras-azul-de-lear foram vendidas pela ACTP o Green Zoological, Rescue and Rehabilitation Kingdom, zoológico que está sendo construído na Índia e promete ser o maior do mundo.

A recomendação para a proposta de comercialização das araras brasileiras se deu após uma visita de representantes da CITES à sede da ACTP em Berlim. 

“A avaliação do Secretariado levanta preocupações de que os Estados-Membros da União Europeia considerem as transações como não comerciais que, na realidade, são de natureza principalmente comercial. Um caso particularmente preocupante é a venda de araras-azuis, uma espécie extinta na natureza, principalmente como resultado do comércio ilegal e da demanda de colecionadores particulares. 26 ararinhas-azuis foram recentemente transferidas para a Índia e um total de 50 para a Bélgica, Dinamarca e Eslováquia, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente alemão. Embora o criadouro alemão relevante aparentemente tenha recebido quantias significativas de dinheiro para transferir aves criadas em cativeiro para particulares e zoológicos , as autoridades alemãs consideraram estas transações como não comerciais, fornecendo diferentes explicações”, relata o texto das organizações.

Tanto a ararinha-azul como a arara-azul-de-lear são endêmicas do Brasil, ou seja, não existem na natureza em nenhum outro lugar do mundo. Apesar do programa em andamento de reintrodução da ararinha-e do nascimento dos primeiros filhotes no Refúgio de Vida Silvestre, em Curaçá, a espécie ainda continua considerada extinta na vida selvagem. Já a de-lear está na categoria “em perigo de extinção”, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Na manhã dessa sexta-feira (03/11), o Conexão Planeta recebeu uma nota enviada pela assessoria de comunicação do Ministério do Meio Ambiente afirmando que o Ibama e ICMBio não foram consultados sobre o envio das araras brasileiras ao zoológico da Índia e que esses órgãos são completamente contra a comercialização das espécies (leia mais aqui).

Assinam a carta conjunta as seguintes instituições de proteção animal e preservação ambiental:

Birds Caribbean
Bornfree Foundation
David Shepherd Wildlife Foundation
Defenders of Wildlife
Eurogroup for Animals
Environmental Investigation Agency
Foundation Franz Weber
Freeland Foundation
Humane Society International Fund for Animal Welfare
Macaw Recovery Network
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo
Naturschutzbund Deutschland (NABU)
Parrot Conservation Alliance
Pro Wildlife
Rare Species Conservatory Foundation
Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS)
SoCal Parrot
Species Survival Network
Wild Parrot Coalition
World Parrot Trust

Foto de abertura: ACTP / ICMBio

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Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.