Onze aves entram na Lista Vermelha de espécies ameaçadas de extinção no Reino Unido: total chega a 70

Onze aves entram na Lista Vermelha de espécies ameaçadas de extinção no Reino Unido: total já chega a 70

O alerta já vem sendo dado há anos. Em 2018, o o Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França revelou que os pesticidas estavam provocando um declínio assustador de aves na Europa. A pesquisa realizada pelos franceses apontava que com o desaparecimento dos insetos, alimentos dos pássaros, dezenas de espécies tiveram uma redução brutal no número de indivíduos. Algumas apresentando uma diminuição de até 1/3 nos últimos 15 anos. Agora, um novo relatório divulgado no Reino Unido é mais uma prova desse cenário alarmante.

O novo levantamento divulgado pela British Trust for Ornithology,  Birds of Conservation Concern 5, avaliou as condições de 254 espécies de aves. A lista é dividida em vermelho, para aqueles em maior risco de extinção, âmbar, em estado de atenção, e verde, que não despertam preocupação. Nesse relatório, onze novas espécies de pássaros entraram para a categoria “vermelha” (mas algumas saíram dela, leia mais abaixo).

Entre as espécies que agora aparecem na Lista Vermelha estão o andorinhão-preto (Apus apus), a andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum) e o verdelhão (Chloris chloris), que aparecem pela primeira vez na história da avaliação nessa categoria. Os dois primeiros mudaram de âmbar para vermelho devido a diminuições alarmantes no tamanho de sua população (58% desde 1995 e 57% desde 1969, respectivamente).

Atualmente, 29% do total de todas as aves analisadas estão na categoria vermelha. São 67 em comparação a 70, quando foi elaborado o último relatório, em 2015. Há 25 anos, quando a primeira análise foi feita, eram “apenas” 36 espécies com alto risco de desaparecer.

“É triste e chocante pensar que a andorinha-dos-beirais, um pássaro que muitas vezes, literalmente, faz seu lar sob nossos telhados, foi para a lista vermelha. Como um migrante de longa distância para a África, sabemos muito pouco sobre sua vida fora da no Reino Unido, mas as possíveis causas incluem a falta de comida, como resultado do declínio dos insetos, e menos locais de nidificação devido à reforma de casas e mudança para beirais de plástico”, afirma Juliet Vickery, CEO da British Trust for Ornithology.

Em novembro, a organização já tinha publicado um alerta sobre o possível desaparecimento de aves das áreas costeiras britânicas como resultado das mudanças climáticas. Uma das espécies em maior risco seria o papagaio-do-mar (Fratercula arctica) – puffin, em inglês -, que poderá ter sua população reduzida em 90% até 2050. “Isso pode representar uma perda de mais de um milhão de pássaros. Há uma chance muito real de que nossos netos nunca saibam como é ver um puffin na Grã-Bretanha e na Irlanda”, lamentou Juliet.

Apesar das más notícias, o relatório divulgado esta semana traz algumas boas, pois algumas aves saíram da categoria vermelha para a âmbar. Graças a esforços de conservação, a maior ave de rapina do Reino Unido, a águia-de-cauda-branca, conseguiu aumentar sua população. No entanto, ainda são somente 123 casais observados na vida selvagem.

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Foto: pixabay/domínio público

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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