ONG recicla sabonetes e produtos de higiene de hotéis e doa para quem mais precisa

O executivo americano Shawn Seipler trabalhava numa empresa de comércio eletrônico e por isso, viajava muito. No entra e sai de hotéis, sempre ficava incomodado com o desperdício de produtos de higiene. O que era feito com os restos de sabonetes, xampus, cremes e condicionadores que ficavam nos banheiros? Seipler descobriu que tudo era descartado em aterros sanitários. Estima-se que 5 milhões de barras de sabonete sejam jogadas fora – todos os dias – por hoteis no mundo.

Em uma outra realidade muito distante, 2,5 bilhões de crianças sofrem com diarreia. Aproximadamente 1,8 milhão de pessoas morrem por causa da doença anualmente. Oitenta por cento delas vive em países da África e sul da Ásia. E a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que a maneira mais eficiente e barata para reduzir estas estatísticas seria simplesmente incentivando o hábito de lavar as mãos com sabonetes.

Disposto então a acabar com o desperdício absurdo de produtos de higiente e reduzir o número de mortes nestes países pobres, Seipler fundou, em 2019, a organização não-governamental Clean The World. E como a empresa funciona? Em parceria com cadeias de hotéis e fornecedores do setor, a ONG coleta, separa e processa produtos de higiene que teriam como destino o lixo. Todo este material é reciclado em três centros, localizadas em Orlando, na Flórida, onde fica a sede da companhia, Las Vegas e Hong Kong.

Produtos de higiene descartados diariamente por hoteis

O processo de reciclagem é bastante meticuloso. Para que os sabonetes, por exemplo, possam ser reaproveitados, primeiramente, eles são limpos, depois esterilizados e por último, triturados. A partir daí então, novos barras são produzidas, encaixotadas e distribuídas, em kits de higiene, para comunidades carentes ao redor do mundo.

ONG recicla produtos de higiene de hoteis e doa para quem mais precisa

Sabonete da Clean the World feito com sobras que iriam parar no lixo

Nos últimos oito anos, a Clean The World já distribuiu 40 milhões de barras de sabonetes em 115 países. Além da diarreia, outras graves doenças tropicais, que podem afetar seriamente o desenvolvimento de crianças e a capacidade produtiva dos adultos, são evitadas com a lavagem das mãos.

Mas a ONG não faz somente a distribuição de produtos de higiente. Oferece programas de educação, que possam garantir a mudança de comportamento a longo prazo.

Crianças aprendendo a importância de lavar as mãos para evitar doenças

Além disso, a Clean The World foca em diversas outras áreas estratégicas, entre elas: ajuda humanitária e de emergência em situações de catástrofe; microempréstimos para empreendedores locais investirem na fabricação de sabonetes; promoção de programas de educação da higiene em comunidades fragilizadas e envolvimento comunitário para fortalecimento de parcerias com empresas e escolas.

Atualmente a organização tem parceria somente com hotéis nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, alguns outros países da Europa, além de Hong Kong, Macau, Singapore e Taiwan. São nestes lugares onde estão os centros de reciclagem de sabonete da ONG.

Novos hábitos para uma vida nova e mais saudável

Uma iniciativa fantástica como esta pode ser replicada em qualquer lugar do mundo, inclusive no Brasil.  A rede hoteleira do país é a primeira que deve se mexer para ser mais sustentável. Vamos lá?!

Um simples sabonete pode representar uma grande mudança

Fotos: divulgação Clean The World

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

2 comentários em “ONG recicla sabonetes e produtos de higiene de hotéis e doa para quem mais precisa

    • 1 de junho de 2017 em 10:57 AM
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      Muito bacana, né, Renato!
      Iniciativas assim fazem a gente acreditar que há luz no fim do túnel.
      Boa quinta para você,
      Suzana

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