Onça-pintada em frigorífico ilustra campanha mundial do Greenpeace contra empresas que desmatam

A imagem chocante de uma onça-pintada pendurada numa câmara frigorífica (é uma montagem, ok?) ilustra a nova campanha internacional do Greenpeace, que pede à sociedade planetária para que pressione a Comissão da União Europeia contra o setor agropecuário, que destrói florestas e ecossistemas pelo mundo.

A intenção é cobrar da presidente dessa comissão, Ursula von der Leyen, medidas efetivas contra empresas empenhadas em sabotar uma nova lei que impede que produtos relacionados ao desmatamento sejam comercializados em supermercados europeus.

Como forma de sensibilização, a campanha cita os incêndios no Pantanal, durante os quais muitos animais morreram asfixiados e queimados ou ficaram gravemente feridos, entre eles a onça-pintada, que é símbolo da região.

“No ano passado, a indústria agropecuária faturou bilhões, enquanto ecossistemas inestimáveis como o Pantanal, no Brasil, perderam 17 milhões de animais nos incêndios florestais em terras que haviam sido anexadas para abrir espaço para a produção de carne e ração”, destaca a campanha.

Seu lançamento, neste momento, é estratégico já que estamos a poucos dias da Conferência do Clima da ONU, a COP 26, que acontecerá em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro.

Em março deste ano, o Greenpeace divulgou investigação que revela que “varejistas europeus estão vendendo carne bovina e couro devido à destruição recorde de uma das maiores áreas úmidas do mundo, na região do Pantanal, no Brasil”.

Detalhada no documento Making Mincemeat of the Pantanal (Fazendo Picadinho do Pantanal, em tradução livre), identificou 15 pecuaristas ligados aos incêndios de 2020, que destruíram parte do bioma, que são fornecedores da JBS, da Marfrig ou da Minerva, frigoríficos que exportam para a UE e o Reino Unido.

Em abril, o Greenpeace do Reino Unido atacou diretamente a Tesco – terceira maior cadeia de supermercados do mundo – com outra campanha contundente, na qual uma onça-pintada aparece atravessada por um garfo gigante. Veja um dos tweets.

Lobby contra o IPCC

O Greenpeace também acusa o governo brasileiro, entre outros, de tentar desqualificar e enfraquecer o relatório do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças da ONU, lançado em agosto deste ano, ao pressionar cientistas (autores do relatório) a removerem ou ‘aliviarem’ trechos do documento sobre a necessidade de reduzir o consumo de carnes e laticínios para combater o aquecimento global.

A investigação foi incluída em reportagem da BBC, que revela informações de documentos vazados sobre lobby de países como Brasil, Argentina, Austrália, Japão e Arábia Saudita (além da OPEP) contra o IPCC: foram mais de 32 mil comentários e críticas de governos, empresas e instituições. O texto foi ilustrado por foto de Bolsonaro em conversa animada com Mohammed bin Salman, príncipe da Arábia Saudita.

A ONG destacou em nota: “Não por acaso, esses países são intensos produtores e consumidores de carvão, petróleo, carne e ração animal, que estão diretamente ligados ao aquecimento do planeta”.

Com informações do Greenpeace Internacional e G1

Foto: Greenpeace/Divulgação

 

 

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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