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Onça-pintada é referência para conservação do Pantanal em projeto inédito de créditos de biodiversidade

Onça-pintada é referência para conservação do Pantanal em projeto inédito de créditos de biodiversidade

Certamente você já ouviu falar de créditos de carbono, que visa a redução dos gases de efeito estufa (que provocam o aquecimento global) a partir de crédito recebido a cada tonelada de GEE não emitida, que pode ser negociado com um país ou empresa que não alcance sua meta.

Mas não adianta falar apenas em crédito de carbono se as florestas não têm apenas árvores, mas muitos outros seres vivos.

biodiversidade continua subfinanciada! “Pesquisas recentes indicam lacuna de mais de US$ 700 bilhões entre o financiamento anual atual e o que seria necessário para sua conservação”, destaca o WRI – World Resources Institute.

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Isso ficou bem claro na COP 15 da Biodiversidade, da ONU, em 2022, quando 196 países estabeleceram o Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, comprometendo-se a interromper e reverter a perda de biodiversidade até 2030. Um acordo histórico para proteger os ecossistemas!

Os signatários concordaram em redirecionar US$ 500 bilhões em subsídios para a biodiversidade e mobilizar outros US$ 200 bilhões adicionais por ano para a conservação e restauração. De acordo com o WRI, os governos têm contribuído com a maior parte (83%) do financiamento global para a natureza, no entanto, os recursos públicos provavelmente não serão suficientes.

Por isso, a sociedade civil e instituições filantrópicas cada vez mais reivindicam que o setor privado assuma maior participação no financiamento de projetos positivos para a natureza

Créditos de Biodiversidade

Foi nesse cenário que surgiram projetos de créditos de biodiversidade: ferramenta que incentiva a proteção e a recuperação de ecossistemas ao vincular a conservação de uma espécie ao desenvolvimento econômico.

Ou melhor: “Por meio da venda de créditos, são oferecidos incentivos financeiros diretos para a conservação, o que é essencial para combater a perda de biodiversidade e promover a sustentabilidade a longo prazo”, explica a ERA – Ecosystem Regenaration Associates.

Referência no mercado de projetos de conservação ambiental e ações voltadas para pagamento de serviços ambientais (PSA), a empresa foi responsável pela elaboração da metodologia de créditos de biodiversidade adotada pelo IHP – Instituto do Homem Pantaneiro, inédita no Brasil e lançada em junho.

No lançamento do projeto em 18 de junho, Angelo Rabelo, presidente do IHP, com algumas de suas colaboradoras (da esquerda para a direita): Betina Kellermann (bióloga), Fernanda Coppola (RP), Letícia Larcher (bióloga), Grasiela Porfírio (bióloga)

“Estruturamos uma Solução Baseada na Natureza (NBS) focada em espécies guarda-chuva, baseada na prática e adaptável a qualquer espécie de mamífero e ave em diferentes biomas”, acrescenta a ERA.

Para Angelo Rabelo, presidente do IHP e membro do Explorers Club 50, os créditos de biodiversidade garantem medidas eficazes de conservação.

“Estamos diante de um projeto que representa um grande avanço quando tratamos de conservar a natureza. É uma proposta que, agora, acontece no Pantanal e que poderá ser replicada para outros biomas”. 

São parceiros deste projeto: a Regen Network, plataforma de marketplace para o mercado mundial de biodiversidade e conservação, e a Okala, empresa global que direciona cientistas em biodiversidade e ecologia para atuar na conservação de projetos em um milhão de hectares de áreas monitoradas na América do Sul, África e Europa. 

Para o lançamento, o IHP também contou com o apoio da Documenta Pantanal, GM e ISA CTEEP, além dos fotógrafos Sebastião Salgado, Luciano Candisani e Araquém Alcântara, que doaram fotos exclusivas de onças-pintadas para serem revertidas em créditos de biodiversidade neste início do projeto. Veja as belíssimas imagens doadas a seguir.

Onça-pintada é referência para conservação do Pantanal em projeto inédito de créditos de biodiversidade
Onça-pintada é referência para conservação do Pantanal em projeto inédito de créditos de biodiversidade
Onça-pintada é referência para conservação do Pantanal em projeto inédito de créditos de biodiversidade

Como funciona

Com essa nova metodologia, é possível mensurar o impacto do trabalho desenvolvido há mais de 20 anos por pesquisadores do IHP no Pantanal – considerado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO , em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. 

O projeto foca em uma área de aproximadamente 50 mil hectares (equivalente a 50 mil campos de futebol), distribuídos em três RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural), na Serra do Amolar, borda oeste do Pantanal do MS. 

E ainda estão envolvidas nas ações de conservação quatro comunidades ribeirinhas, que representam, ao menos, 57 famílias mapeadas

Os créditos gerados pelo projeto de créditos da biodiversidade do IHP significam uma iniciativa direta de impacto positivo para o planeta e uma forma real de engajamento com a conservação do Pantanal e sua espécie guarda-chuva: a onça-pintada.

“Estamos na vanguarda da luta contra a perda de biodiversidade, pavimentando o caminho para um modelo de conservação que é tanto sustentável quanto replicável”, explica Hannah Simmons, fundadora e CEO da ERA, que trabalha com empreendedorismo de impacto e projetos de conservação há 15 anos.

“Nossa Metodologia de Biodiversidade se destaca por sua adaptabilidade a qualquer espécie de mamífero e de ave em diferentes biomas. Nosso objetivo era desenvolver uma metodologia que recompensasse, de forma simples, os guardiões da terra que estão conservando a vegetação nativa. Um pagamento por serviços ecossistêmicos para a conservação, mas que não se baseia unicamente no risco de desmatamento, como o mecanismo REDD+ do mercado de carbono”, explica.

“Acreditamos que a vegetação nativa possui valor intrínseco, para aliem do conceito de adicionalidade, e que precisamos urgentemente impulsionar o financiamento para a conservação a fim de proteger a vegetação nativa remanescente, pois o habitat e a biodiversidade são cruciais para a sobrevivência humana. A quantidade de créditos está, portanto, fundamentada na quantidade de hectares de vegetação nativa que o guardião da terra preserva, monitora e aplica ações de proteção à espécie guarda-chuva”, finaliza Simmons. 

Este projeto está direcionado para a presença da onça-pintada no território mapeado, e aespécie é chamada de guarda-chuva porque sua proteção acaba por englobar aconservação de uma enorme variedade de espécies de animais e plantas

Na região do projeto com o IHP, ao se proteger a onça-pintada, existe um impacto direto também em mais de dez espécies de mamíferos ameaçados no Brasil, entre eles o tamanduá-bandeira, a anta, o queixada (também conhecido como porco-do-mato) e o tatu-canastra; além de três espécies de aves, entre elas o mutum e a tiriba-da-cara-suja, um pequeno periquito de distribuição restrita à borda oeste do Pantanal. 

Graziela Porfirio, doutora em Ecologia e Conservação que atua no IHP para a conservação direta da onça-pintada, conta que esta espécie “sofre com a ameaça da caça ilegal, motivada por diversos fins, sendo o principal deles a retaliação por prejuízos causados pela depredação de rebanhos e animais de criação”. 

“Outra ameaça é a perda e fragmentação do habitat com consequente redução da oferta de presas naturais (o que pode acentuar o conflito com produtores rurais). E ainda outra grande ameaça (e talvez a principal) nos dias atuais: os grandes incêndios florestais”, destaca.

“Usamos inteligência artificial para prevenir o fogo, armadilhas fotográficas para monitoramento da fauna e colares de GPS telemetria para investigar os padrões de movimentação e uso do habitat pelas onças-pintadas, aliadas as ferramentas de geoprocessamento de dados“, detalha a pesquisadora. 

Como participar

O pré-financiamento do projeto de créditos de biodiversidade para a onça-pintada no Pantanal está disponível para empresas, propriedades rurais, startups e pessoas físicas na plataforma da Regen a partir do investimento de US$ 2 ou R$ 11,31.
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Fotos (montagem no destaque): Luciano Candisani, Sebastião Salgado e Araquém Alcântara

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