Óleo é encontrado em corais e sedimentos a 3 metros de profundidade no Rio Grande do Norte

Óleo é encontrado em corais e sedimentos a 3 metros de profundidade no Rio Grande do Norte

Pesquisadores do Laboratório de Geologia e Geofísica Marítima e Monitoramento Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) analisaram 30 amostras de sedimentos de fundo marinho, coletados nos parrachos de Pirangi do Sul, litoral leste do estado. O material foi retirado a uma distância de 5 km da costa, entre o estuário do Rio Pium e o mar. O resultado divulgado pelos cientistas é muito preocupante. Foram encontradas manchas de óleo (petróleo cru) em corais a três metros de profundidade.

Até então, acreditava-se que a substância que, desde o início de setembro, vem poluindo as praias do litoral nordestino, ficava apenas na superfície da água e não estaria atingindo camadas mais profundas do oceano.

“Esse é um alerta importante, pois aparentemente o óleo não está mais apenas na superfície. É necessário um estudo mais detalhado para verificar se o produto está em profundidades e dimensões maiores”, ressaltou Helenice Vital, coordenadora do laboratório.

Para a pesquisadora, a descoberta faz com que os órgãos ambientais precisem começar a planejar ações também na região marinha e não somente na linha de costa do Nordeste. “Há urgência para identificar a magnitude do impacto e, dessa forma, ser elaborado um planejamento de medidas mitigadoras tanto para remoção quanto para o monitoramento e recuperação do ambiente”.

Testes posteriores irão confirmar ainda se o óleo achado nos parrachos de Pirangi do Sul é o mesmo que foi derramado em alto mar e até agora, já chegou a 200 praias dos nove estados nordestinos. De acordo com dados divulgados pela Marinha, mais de 900 toneladas de óleo foram coletadas, ao longo dos 2.250 quilômetros da costa, impactados pelo crime ambiental (leia mais aqui).

Helenice revelou ainda que foram observadas manchas escuras nos sedimentos – material de areia, lama e fragmentos de organismos vivos -, localizados na superfície do fundo do mar.

“O óleo estava tanto na camada superficial como interna, situação que pode impedir trocas gasosas e provocar alterações no pH essencial para a vida dos seus habitantes da superfície, chamada de epifauna, e do interior do sedimento, a infauna. Entre eles estão os foraminíferos, microrganismos utilizados para prospecção de petróleo e como parâmetro de avaliação dos impactos ambientais, cuja mortalidade provoca um desequilíbrio geral na vida marinha”, explicou.

Outra pesquisadora da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Patrícia Eichler, que também participa da análise, destaca que o fim da infauna pode acarretar a perda completa daquele ecossistema como um todo. “Lá estão os consumidores primários da cadeia alimentar e sem eles não temos os consumidores secundários. Quando há um problema na base, teremos em toda a cadeia ecológica, que vai chegar ao homem”.

Leia também:
Nas redes sociais, artistas cobram ações do governo para conter manchas de óleo no litoral nordestino
Mancha de óleo chega a região de corais e algumas das praias mais famosas dos litorais da Bahia e de Alagoas
Ministério Público entra com ação contra governo exigindo acionamento de plano de contingência por vazamento de óleo
Golfinho é encontrado morto com manchas de óleo em praia de Alagoas
Dezenas de tartarugas e filhotes aparecem mortos, sujos com óleo, nos litorais do Ceará e da Bahia

Foto: divulgação

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Óleo é encontrado em corais e sedimentos a 3 metros de profundidade no Rio Grande do Norte

  • 23 de outubro de 2019 em 10:47 AM
    Permalink

    Esse óleo está mais fundo do que nas camadas mais profundas do oceano. Está em nós. Nos recônditos da alma, onde ela pensa, chora, julga, sente, ama e crê. Não é a primeira vez, nem será a última que desastres ecológicos ocorrem, não tendo sido ainda erradicado o último, quem sabe, em véspera de outros (quantos mais?!). Está em cada terráqueo, essa viscosidade destrutiva e abominável, não importa de onde venha, qual a nacionalidade e em que idioma se traduza por irresponsáveis e criminosos, os autores do mal. Estão em nós as cinzas das árvores e dos bichos calcinados, os rios poluídos com a lama empresarial que apenas somava o lucro para si, sem calcular o prejuízo para os outros; viscoso e indelével, impregnado em nosso horror de vítimas, sem que o possamos mensurar, tão grande é, alastrando-se para ser visto e aprofundando-se para emboscar onde não podemos ver todos os que agonizam e morrem atingidos por ele, o óleo homicida, silencioso e demoníaco. No entanto, para testemunhar estes históricos flagelos, ainda respiramos: apesar dos agrotóxicos, do óleo, do fogo, da fumaça e da lama estamos vivos, maravilha, que bom! Mas ninguém garante até quando, nem quantos tombarão à nossa volta, com o mesmo desejo de viver, que o nosso.

    Resposta

Deixe uma resposta