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Oceanos mais quentes estão levando espécies marinhas para mais perto dos polos do planeta

Oceanos mais quentes estão levando espécies marinhas para mais perto dos polos do planeta

Com o aumento das emissões no planeta e como consequência a concentração de mais gases de efeito estufa na atmosfera terrestre, os oceanos dobraram sua absorção de calor nas últimas duas décadas, com um terço do aquecimento indo para suas regiões mais profundas. O efeito das águas mais quentes em nossos mares está sendo observado por cientistas, que alertam um movimento atípico de certas espécies marinhas em direção aos polos, em busca de temperaturas mais frias.

Segundo especialistas, muitos animais que vivem nos oceanos só conseguem se adaptar a mudanças leves de temperaturas. Quando elas são bruscas, eles simplesmente morrem. Na Austrália, desde 2003, pelo menos 200 espécies foram observadas alterando sua área de distribuição e 87% delas rumaram mais para o sul do continente.

Não é apenas na Austrália que esse fenômeno está ocorrendo. E ele afeta tanto animais aquáticos como terrestres.

Pesquisadores australianos fizeram uma lista de oito espécies marinhas que já foram registradas em regiões onde não eram avistadas no passado. Entre elas está, por exemplo, o Moorish idol (Zanclus cornutus), um peixe lindíssimo e bastante popular, que no passado era observado ao norte da do país, e agora, mais e mais, tem sido documentado ao sul de Geraldton e Eden, na Nova Gales do Sul.

Outro exemplo é o polvo-australiano (Octopus tetricus), comumente visto no sudeste da Austrália e hoje há relatos dele nas águas da Tasmânia. O galha-branca-de-recife (Triaenodon obesus), um tubarão que nada lentamente e nunca dorme, também tem buscado águas mais frias no continente australiano.

Mas não se sabe ainda qual será o impacto – se é que haverá – da presença dessas espécies em locais onde elas não viviam antes.

Todavia, cientistas já observaram essas mudanças mesmo antes da chegada o El Niño em 2023. A expectativa é que este fenômeno natural, que provoca o aquecimento do Oceano Pacífico e impõe alterações no clima do mundo todo, deixe as águas da Austrália 2,5oC mais quentes nos próximos meses.

Um estudo recente demonstrou que baleias e seus filhotes estão mais magros devido ao aquecimento global e o degelo na Antártica. Com menos abundância de krill por causa do aumento da temperatura, baleias francas estão 25% mais magras do que na década de 80. E fêmeas têm tido um novo filhote a cada cinco anos e não mais a cada três, como era observado no passado.

Oceanos mais quentes estão levando espécies marinhas para mais perto dos polos do planeta

O polvo-australiano é uma das espécies que tem migrado mais para o sul em busca de águas mais frias
(Foto: Sylke Rohrlach, CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons)

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Foto de abertura: rawpixel/creative commons

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