O extinto tigre-da-tasmânia volta à vida num breve vídeo, com pouco mais de 60 segundos

O extinto tigre-da-tasmânia volta à vida num breve vídeo, com pouco mais de 60 segundos

O tigre-da-tasmânia foi declarado oficialmente extinto em 1936. Naquele ano, no dia 7 de setembro, morreu Benjamim, o último indivíduo da espécie, a thylacine, mantido em cativeiro.

Tendo como habitat a Tasmânia, uma ilha no extremo sul da Austrália e também, a parte continental do país, na verdade, esse marsupial parecia mais um cão selvagem do que um tigre, mas ganhou seu nome por causa das listras que possuía nas costas e no rabo. Assim como outras espécies endêmicas australianas, que já não existem mais, o tigre-da-tasmânia começou a caminhar para a extinção após a chegada dos colonizadores europeus. Eles estimularam a caça desses animais, que também foram impactados pela introdução de predadores, perda de habitat e doenças.

Agora, 85 anos após a morte de Benjamim, a National Film and Sound Archive (NFSA) da Austrália divulgou um curto filme que recuperou mostrando o último tigre-da-tasmânia do planeta. Com 1 minuto e 17 segundos, a filmagem apresenta ao mundo, brevemente, como eram esses marsupiais.

O filme original foi gravado em 35 milímetros, em preto-e-branco, pelo naturalista David Fleay, no zoológico de Beaumaris, em Hobart, na Tasmânia, em dezembro de 1933. Usando tecnologias de ponta, o material foi escaneado, aplicadas técnicas de alta resolução e depois, colorizado.

O resultado é emocionante. O tigre-da-tasmânia em vida novamente.

“Para o thylacine, enfrentei um tipo diferente de desafio – e responsabilidade. Tive que cuidar das raras imagens filmadas e prestar homenagem ao último representante de uma espécie, que desapareceu há 85 anos. Eu me importo muito com os animais e descobri a história dele enquanto morava na Austrália, em 2012, e isso realmente me comoveu”, contou Samuel François-Steininger, responsável pela edição do vídeo.

Ele revelou que devido à resolução e à qualidade da imagem original, havia muitos detalhes, como a textura da pele que precisaram ganhar um acabamento mais detalhado. “Em relação às opções de colorização, pudemos encontrar muitos skins diferentes em diversos animais de museus que foram bem conservados no escuro e mantiveram suas cores”, revela Steininger.

Junto com sua equipe, o especialista também analisou desenhos e ilustrações existentes do tigre-da-tasmânia. “Do ponto de vista tecnológico, fizemos tudo digitalmente – combinando restauração digital, rotoscopia e animação 2D, iluminação, algoritmos de inteligência artificial para o movimento e o ruído, composição e gradação digital. Mais de 200 horas de trabalho foram necessárias para alcançar este resultado”, relata.

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Imagem: reprodução vídeo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “O extinto tigre-da-tasmânia volta à vida num breve vídeo, com pouco mais de 60 segundos

  • 17 de setembro de 2021 em 9:21 AM
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    Beleza. Não fosse pelas listras, mais se assemelha a um cão do que a um tigre. Aplausos para os responsáveis pelo trabalho que trouxe de volta o Benjamim extinto para nosso aprendizado e conhecimento. Em homenagem a Benjamim, possamos proteger, com unhas e dentes, as espécies de hoje, ainda vivas, porém ameaçadas de extinção, para que não se extinguam e se transformem apenas em saudade.

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