O clima ao redor do mundo em 13 imagens fantásticas, premiadas pela ‘Royal Meteorological Society’

Royal Meteorological Society é o principal órgão independente do mundo especializado em tempo e clima, que, desde 2016, promove um concurso mundial de fotografia metereológica. Em geral, são os mais fantásticos registros de profissionais e amadores sobre momentos únicos proporcionados pela natureza.

Em alguns deles, é possível identificar o impacto das alterações climáticas resultantes do aquecimento global. E cada participante descreve as condições meteorológicas do momento em que fez a foto.

Este ano, com a parceria da AccuWeather, plataforma de previsão do tempo, a competição recebeu a inscrição de 7.700 fotografias, das quais os jurados selecionaram 26 vencedoras.

Os destaques ficam para o Fotógrafo do Tempo do Ano (1º lugar), dois vice-campeões (2º e 3º lugares), a imagem favorita do público – maravilhosa! – e a categoria dos participantes mais jovens, com dois escolhidos.

Fizeram parte do júri deste ano: Liz Bentley, presidente-executiva da Royal Meteorological Society (RMetS), Jesse Ferrell, meteorologista especialista da AccuWeather e gerente de mídia social, Mark Boardman, proprietário da StormHour Ltd, Gareth Mon Jones; vencedor do Weather Photographer of the Year 2019 e Matt Clark; editor de fotos da revista RMetS Weather.

A seguir, estão 13 das 26 imagens escolhidas pelo júri para esta edição e alguns comentários dos autores e, no caso do grande vencedor, dos jurados.

‘Blizzard’, de Rudolf Sulgan, o fotógrafo do tempo do ano

A foto na Ponte do Brooklyn, em Nova York, foi feita em 2018 durante uma forte nevasca. Rudolf Sugan explica: “O aquecimento periódico da água pelo El Niño frequentemente perturba os padrões meteorológicos normais. Minha principal preocupação e inspiração é que minhas imagens colaborem, com uma pequena parte, no combate às mudanças climáticas”.

Para Liz Bentley, presidente-executiva da Royal Meteorological Society (RMetS) e jurada: “O clima afeta as nossas vidas e esta imagem captura isso perfeitamente. A Ponte do Brooklyn oferece um cenário icônico, mas é o efeito combinado da neve, do vento e de temperaturas congelantes, que afetam as pessoas que tentam cruzar a ponte, que conta toda a história – me dá um arrepio na espinha”.

Jesse Ferrell, meteorologista especialista da AccuWeather e gerente de mídia social concorda: “Pra mim, as melhores fotos são aquelas que me fazem sentir como se eu estivesse lá quando foram tiradas, como se estivesse participando da experiência. E a imagem de Sugan faz isso comigo. Sinto todo o impacto – o frio do inverno, os flocos de neve batendo no meu rosto. O enquadramento é impecável e agradável. Ele captura o momento em que a neve cai com tanta força que adiciona uma essência fantasmagórica e sobrenatural ao ambiente”.

Já Mark Boardman, proprietário da StormHour Ltd, acrescenta: “Sempre fico fascinado por fotos de pessoas interagindo com o mau tempo. Quem são elas, lutando para atravessar a ponte ? Estão felizes ou tristes? São trabalhadores locais ou turistas? Quais são suas histórias, como chegaram a esse momento e para onde estão indo? Uma imagem como esta permite que você olhe, pondere e devaneie, você poderia escrever um romance sobre essas pessoas na ponte”.

‘Tea Hills’, de Vu Trung Huan, 2º lugar

Foto: Vu Trung Huan – 2º lugar

“Perdido na cena das fadas. A colina Long Coc, em Hanoi, Vietnam, tem características misteriosas e estranhas quando o sol nasce. Escondida na névoa da manhã, a cor verde das folhas de chá se destaca. Nada é igual! Perfeito para quem ama a natureza, gosta de ver o nascer do sol. Ao ficar no topo do morro, você sente com mais clareza a transição entre o dia e a noite. Uma grande terra verde de repente é avistada. Quando o sol nasce, tudo é tingido com sua luz, nos botões do chá ainda brilha o orvalho da manhã, uma beleza pura que dá vontade de abraçar tudo”, , declara Huan, que registrou a cena em 2019.

O que a RMS conta: “Qual é a diferença entre neblina e névoa? Normalmente vemos neblina quando a visibilidade é inferior a 10km, porém não existe uma definição uniforme ao redor do mundo. Há muitos tipos diferentes de nevoeiro, entre eles, o nevoeiro do vale. Ele se forma em vales onde o ar frio e denso se acumula e, sob as condições certas (temperatura fria, vento calmo, umidade suficiente e céu claro), se condensa para formar a névoa. A névoa do vale pode durar vários dias seguidos, principalmente durante o inverno”.

‘Monster’, de Maja Kraljik, 3º lugar

Foto: Maja Kraljik – 3º lugar

“Esperei duas horas pela chegada dessa nuvem monstruosa, que depois fez uma verdadeira bagunça no céu”, disse Maja, a segunda vice-campeã. A foto foi feita em Umag, na Croácia, em 2017, e foi a que escolhemos para destaque deste post por sua dramaticidade e boa tradução das alterações do clima no planeta.

A RMS descreveu assim, o fenômeno: “Esse tipo de nuvem é chamado de “nuvem de plataforma”. Geralmente horizontal de baixo nível, tem forma de cunha e ocorre ao longo da parte frontal de uma rajada de vento em uma tempestade intensa. O ar quente e úmido, que sobe dentro da corrente ascendente de uma tempestade, esfria e condensa acima da corrente descendente resfriada pela chuva (ou rajada), produzindo a ‘nuvem de plataforma’. É acompanhada por rajadas de vento e uma queda abrupta de temperatura, com precipitação em seguida”.

‘Tesouro Baikal, de Alexey Trofimov, foi a favorita do público

Foto: Alexey Trofimov

“Tirei essa foto durante uma expedição no gelo do Lago Baikal, na Sibéria, Rússia, em 2013. No primeiro dia, chegamos ao Cabo Kotelnikovsky, onde fui atraído por montes de gelo e uma cobertura de neve. Era meio-dia, não era exatamente minha hora de tirar fotos, mas a luz que o sol ofertou, refratando em blocos de gelo, me chamou a atenção”, conta Alexey Trofimov, que registrou esse momento mágico.

A RSM acrescenta: “O Lago Baikal é o maior e mais profundo lago de água doce do mundo, contendo cerca de um quinto da água doce da Terra. No inverno, as temperaturas médias ficam em torno de -21ºC, enquanto no verão rondam os 11ºC. Com temperaturas tão baixas por quase meio ano, o lago fica coberto de gelo por quase cinco meses. Conforme a temperatura cai durante o inverno, o congelamento irregular do lago faz com que alguns blocos sejam empurrados para cima, que são então esculpidos pelo vento, sublimados, derretidos e recongelados. O Lago Baikal é conhecido por suas muitas formações de gelo e sua aparência turquesa”.

Jovens Fotógrafos do Tempo

O primeiro lugar da categoria “Jovem Fotógrafo Meteorológico de 2020′ ficou com Kolesnik Stephanie Sergeevna, de 17 anos, da Rússia, com ‘Frozen Life’: uma folha presa no gelo
A 2ª colocada na categoria ‘Jovem Fotógrafo do Tempo’ foi Emma Rose Karsten, de 18 anos (que tinha 17, quando se inscreveu), com ‘Surf’s Up’,
registrada em Wildwood, Missouri, EUA

Outras imagens deslumbrantes

‘Lavaredo’s Gloria’, de Alessandro Cantarelli,
em Dolomitas, Itália, 2019
‘Frosty Bison’, de Laura Hedien,
Yellowstone, Wyoming, EUA, em janeiro de 2020
Dream’, de Sabrina Garofoli.
Lombardia, Itália, 2016
‘The Red Terror’ (O terror vermelho), de Tori Jane Ostberg,
Wray, Colorado, EUA, 2016
‘A Thirsty Earth’ (Uma Terra com Sede), de Abdul Momin
Chittagong, Bangladesh, em 2019
‘Dan Wet’, de Andrew McCaren
Leeds, Yorkshire, UK, 2019

‘Before a Storm’ (Antes da Tempestade), de Mikhail Shcheglov,
Dyrholaey, Islândia, em 2019

Fotos: Divulgação Royal Metereological Society

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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