“O céu está diferente de tudo o que jamais vimos”, diz prefeita de São Francisco, sobre efeito de incêndios que devastam costa oeste dos Estados Unidos

"O céu está diferente de tudo o que jamais vimos", diz prefeita de São Francisco, sobre  incêndios que devastam EUA

Muitos americanos que moram em cidades da costa oeste dos Estados Unidos acordaram na última quarta-feira (09/09) e ficaram chocados com o que viram no horizonte. O céu avermelhado, tomado pela fumaça e as cinzas provenientes dos incêndios florestais que se proliferam por diversos estados, mais parecia uma imagem de um filme de ficção ou de uma explosão nuclear.

A fumaça dos incêndios, que já destruíram mais de 1 milhão de hectares apenas na Califórnia e atingem também outros dois estados americanos, Oregon e Washington, está sob toda a costa e partes do Oceano Pacífico.

Em São Francisco, a fumaça se juntou à neblina e à maresia, e o céu ficou escondido embaixo das nuvens laranjas. A manhã se tornou noite. Em suas páginas nas redes sociais, o Departamento Municipal de Emergências acalmou a população e fez recomendações aos pais de como falar sobre o problema com as crianças, que poderiam estar amedrontadas. “Escutem suas preocupações. Tranquilize-as e certifique-se de que elas se sintam seguras… O céu escuro é causado pelo número recorde de incêndios na Califórnia e ao longo da costa oeste… Se possível, estimule atividades dentro de casa e mantenha as janelas e portas fechadas até que a fumaça diminua”.

A prefeita de São Francisco, London Breed, divulgou um vídeo pela internet. “Como todos vocês, também acordei hoje com um céu escuro do lado de fora da minha janela. Eu sei que as pessoas podem estar confusas ou com medo. Mas isto é algo diferente do que jamais vimos antes”, afirmou.

Enquanto São Francisco só viu os efeitos dos incêndios no céu, outras cidades dos estados vizinhos foram tomadas pelas chamas. Moradores de Malden, em Washington, relataram que as chamas chegaram tão rápido e com tal força que as pessoas saíram pelas ruas gritando para que todos abandonassem suas casas.

De acordo com as informações mais atualizadas do Department of Forestry and Fire Protection da Califórnia, no momento 14 mil bombeiros combatem 28 grandes incêndios. Oito pessoas morreram e 3,7 mil construções foram destruídas.

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Chamas invadem estrada no estado de Washington

Estados Unidos teve um dos mais quentes verões de sua história

Uma das principais vozes nos Estados Unidos pelo combate às mudanças climáticas, o governador do estado, Gavis Newsom, declarou ontem. “Essas cenas clamam por mudanças. A Califórnia investiu mais na prevenção de incêndios florestais do que em qualquer outro momento da nossa história. Promulgou políticas climáticas ousadas. Mas não é o suficiente. Devemos fazer mais. Precisamos de ação em TODOS os níveis. A Califórnia não pode fazer isso sozinha. A mudança climática é REAL”.

Todavia, o presidente americano não acredita no aquecimento global e durante seu mandato nos últimos quatro anos derrubou políticas públicas aprovadas por seu antecessor, Barack Obama, para tentar conter o aumento da temperatura global. Além disso, Donald Trump tirou os Estados do Acordo de Paris, compromisso assinado por quase 200 nações, em 2015, para redução das emissões de carbono na atmosfera.

De acordo com o mais recente relatório divulgado pela Agência Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA), “agosto de 2020 será lembrado por seu calor extremo e clima violento: os Estados Unidos enfrentaram ondas de calor, furacões e incêndios florestais violentos no oeste”.

A temperatura registrada no mês passado ficou 2,6oC acima da média histórica. Em Death Valley, na Califórnia, os termômetros marcaram 54oC no último dia 16 de agosto.

Por outro lado, houve menos chuva. Agosto deste ano foi o terceiro mês mais seco nos últimos 126 anos naquele país.

*Com informações adicionais do jornal The New York Times

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Foto: Kit Castagne/San Francisco Department of Emergency Management

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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