‘O Brigadista da Floresta’ – painel produzido por Mundano com cinzas das queimadas – recebe prêmio STU Awards de ‘Arte de Rua do Ano’

Em 18 de outubro, o artivista Mundano concluiu sua maior obra: um painel de mais mil metros de altura, na empena do edifício Condomínio Sucupira (Rua Capitão Jerônimo Leitão número 108), no centro de São Paulo, que ele batizou de O Brigadista da Floresta – em alusão a O Lavrador de Café, de Cândido Portinari, pintado há 87 anos: homenageado e inspiração.

Como contei, aqui, ele foi pintado com tintas à base de cinzas e carvão de queimadas de quatro biomas constantemente devastados pelo fogo – Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal -, que Mundano visitou em junho/julho deste ano durante expedição de mais de 10 mil km na companhia do documentarista André Delia (Cine Delia) e do grafiteiro Subtu para o projeto Cinzas da Floresta, que eles criaram.

Foi nessa viagem que Mundano conheceu o brigadista Vinícius Curva de Vento que representa todos os brigadistas do país na obra gigante.

Durante duas semanas, Mundano e muita gente boa se dedicaram de maneira intensa a esse trabalho. Foi emocionante para eles e para quem acompanhou pelas redes sociais. No último dia, Vicente visitou o painel e, emocionado, ajudou Mundano e finalizar o emblema da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias, do qual faz parte. Contei aqui.

Muitas mãos e muitos corações

Há três dias, no Instagram, o artivista contou que estava concorrendo ao prêmio STU Awards. relacionado ao skate e à cultura urbana e oferecido por um dos mais importantes campeonatos de skate do mundo, o Skate Total Urbe (STU), que acontecia no Rio de Janeiro:

“A repercussão da obra O Brigadista da Floresta mexeu tanto comigo que até dei um tempo, aqui. Tudo muito intenso e eu precisava respirar um pouco. Ufa! Mas tô voltando à ativa aos poucos e aproveito pra compartilhar que, esta releitura de Cândido Portinari, com mais de mil m2, em homenagem aos brigadistas voluntários e inteira pintada com as cinzas da floresta, está concorrendo ao prêmio de ‘Arte de Rua do Ano’ ao lado de obras incríveis como ‘Amor Afrocentrado’ e ‘The Jam’, dos grandes artistas e amigos Kajaman e Bicicleta sem Freio, dos quais sou fã”.

No domingo, Mundano recebeu o prêmio na categoria Arte de Rua do Ano e celebrou na mesma rede social:

“Este prêmio é dedicado às heroínas e aos heróis que arriscam a vida pra apagar o fogo da ganância humana. A Arte de Rua do Ano foi feita a muitas mãos e com os corações de uma equipe engajada e apaixonada”.

Citou os nomes de todos que participaram da empreitada, da pintura à filmagem. “Eu divido com todos e todas que encararam esse desafio: Everaldo Costa (Na Marra StopMotion, que acompanhou Mundano e aparece em todas as fotos, aqui), Quinho Fonseca, André Firmiano, Andrea Talibas, Subtu, André Liberto, Cine Delia, Jonaya, Adri Andrade, Soberana Fire, Peter Almeida, Rede Contra o Fogo, Brigada São Jorge, Brivac e Rede Nacional de Brigadas Voluntárias“.

E ainda deu tempo de ele e Everaldo fazerem uma selfie com o amigo Marcelo D2 e tietarem a skatista Rayssa Leal.

Everaldo Costa, Mundano e Marcelo D2
Mundano e Everaldo com a super skatista Rayssa Leal, que venceu a categoria Street, do STU

Sustentabilidade na prática

Como bom ativista e observador do comportamento humano, ao ver latinhas e copos descartáveis jogados pelo chão – uma vergonha que isso ainda aconteça – Mundano não perdeu a oportunidade para alertar sobre a importância da educação ambiental num encontro tão bacana:

“Fica o convite pra que, na próxima edição deste importante festival de cultura de rua, sejam contratados catadoras e catadores de materiais recicláveis para fazer a gestão de resíduos. Eles são rua pura e não dá mais pra fazer eventos desta magnitude sem sustentabilidade na prática”.

E ainda acrescentou: “E vale também dar aquele salve e uma cutucada no público presente, que precisa se esforçar mais e fazer a sua parte. Evolução sempre. E vamo que vamo que o artivismo não pode parar!”.

Caramba…. porque jogar o lixo no chão? O público tá precisando de educação e da gestão dos resíduos dos catadores e catadoras de materiais recicláveis, como destacou Mundano

Fotos: Reproduções do Instagram de Mundano

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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