Número de pessoas que deixaram suas casas atinge novo recorde: mais de 100 milhões fugiram de conflitos, perseguições e violência

Número de pessoas obrigadas a deixar suas casas atinge novo recorde: mais de 100 milhões

Em 2021 o mundo se viu diante de uma nova guerra: após o ataque da Rússia à Ucrânia, mais de 7 milhões de pessoas abandonaram o país, sobretudo mulheres, crianças e idosos. O mesmo ocorreu no Afeganistão, com a tomada do poder novamente pelo Talibã, e na Etiópia, devido a um conflito na região de Tigray. Na África, em Burquina Faso e no Chade a situação também é igual, assim como em Mianmar, onde um governo militar assumiu o governo e com medo da violência, milhares de cidadãos decidiram cruzar a fronteira.  

Todos esses conflitos acontecidos em 2021 (e que ainda continuam, infelizmente) fizeram que o mundo registrasse um novo recorde no número pessoas deslocadas por guerras, violência, perseguições e abusos de direitos humanos: em maio deste ano já eram mais de 100 milhões, um crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior e bem mais que o dobro verificado há uma década.

apenas dois anos, em 2020, eram 80 milhões de pessoas deslocadas.

Segundo dados do Banco Mundial, divulgados pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), no ano passado, 23 países, com uma população combinada de 850 milhões de pessoas, enfrentaram conflitos de intensidade média ou alta.

“Os números subiram em todos os anos da última década”, disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi. “Ou a comunidade internacional se une para enfrentar esta tragédia humana, resolver conflitos e encontrar soluções duráveis, ou esta tendência terrível continuará”, completou.

Ainda de acordo com o relatório “Tendências Globais 2021”, publicado pela ACNUR, o número de refugiados globais chegou a 27,1 milhões. Mais de dois terços (69%) deles vieram de apenas cinco países: Síria (6,8 milhões), Venezuela (4,6 milhões), Afeganistão (2,7 milhões), Sudão do Sul (2,4 milhões) e Mianmar (1,2 milhão).

“Enquanto testemunhamos novas e terríveis situações de refugiados simultâneas às já existentes que permanecem ativas e sem solução, também verificamos exemplos de países e comunidades trabalhando juntos para encontrar soluções às pessoas deslocadas”, acrescenta Gradi. “Isto tem acontecido em lugares específicos – como a cooperação regional para a repatriação de costa-marfinenses – e essas importantes decisões precisam se replicadas e aumentadas em todos os lugares”.

Principais dados do relatório “Tendências Globais 2021”

  • Por volta de maio de 2022, mais de 100 milhões de pessoas estavam deslocadas forçosamente em todo mundo devido a perseguições, conflitos, violência, violações dos direitos humanos ou eventos que perturbaram a ordem pública
  • Ao final de 2021, eram 27,1 milhões de refugiados
  • 4,4 milhões de pessoas da Venezuela deslocadas fora do seu país
  • A Turquia abrigava 3,8 milhões de pessoas refugiadas (a maior população em todo o mundo), seguido por Uganda (1,5 milhão), Paquistão (1,5 milhão) e Alemanha (1,3 milhão). A Colômbia acolhia 1,8 milhão de pessoas venezuelanas deslocadas fora do seu país.
  • O Líbano abrigava a maior população de pessoas refugiadas per capita (em relação aos habitantes do país): uma pessoa refugiada para cada oito habitantes. Em seguida, vem a Jordânia (uma para cada 14) e a Turquia (uma para cada 23).
  • Solicitantes do reconhecimento da condição de refugiado apresentaram 1,4 milhão de novos pedidos. Os Estados Unidos foi o maior recipiente, a nível mundial, de novas solicitações (188,9 mil), seguido pela Alemanha (148,2 mil), México (132,7 mil), Costa Rica (108,5 mil) e França (90,2 mil).
  • Quatro dos dez países de origem com maior número de solicitantes de asilo estão na América Latina e no Caribe: Nicarágua (2º lugar), Venezuela (4º), Haiti (5º) e Honduras (6º).

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Foto de abertura: © UNHCR/Andrew McConnell (crianças em Cabul, no Afeganistão)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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