Novo tremor atinge Haiti, dias após terremoto deixar mais de 2 mil mortos e 12 mil feridos

Novo tremor atinge Haiti, dias após terremoto deixar mais de 2 mil mortos e 12 mil feridos

Enquanto os olhos do mundo estão fixados na crise humanitária do Afeganistão, outra tragédia acontece bem mais perto das nações ocidentais e que envolve milhares de pessoas suplicando por ajuda. No sábado (14/08), o Haiti foi atingido por um terremoto de magnitude de 7,2 graus na Escala Richter, que mais uma vez, devastou o país, um dos mais pobres do continente americano. Até este momento, há o registro de mais de 2 mil mortos e 12 mil feridos. 1,2 milhão de haitianos foram afetados de alguma maneira. Estima-se que 84 mil casas foram destruídas ou sofrem risco de colapso.

Equipes de resgate ainda tentam achar sobreviventes, mas o trabalho precisou ser interrompido na segunda (16/08), quando mais um desastre natural ocorreu na região. O ciclone tropical Grace levou fortes chuvas e ventos para o Haiti, piorando ainda mais o cenário de caos. E na noite passada, um novo tremor foi sentido pelos moradores do país caribenho, com magnitude de 4,9 graus.

Os haitianos já enfrentavam um clima de insegurança após o assassinato do presidente Jovenel Moïse em julho. No poder, o primeiro-ministro, Ariel Henry, decretou estado de emergência por 30 dias. Com pouco mais de 11 milhões de habitantes, o Haiti tem um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo: 0,51. A população sofre com a falta de alimentos e a violência.

E todos os anos, enfrenta a passagem de furacões e outros desastres, que vem ficando mais frequentes nas últimas décadas como resultado do aquecimento global. São os chamados “extremos climáticos”. Em 2016, mais de 1 mil pessoas morreram por lá com o furacão Matthew.

Na verdade, o país nunca conseguiu se reerguer da tragédia provocada pelo terremoto de proporções catastróficas, em 2010, quando aproximadamente 300 mil haitianos perderam a vida e cidades ficaram em ruínas.

Novo tremor atinge Haiti, dias após terremoto deixar mais de 2 mil mortos e 12 mil feridos

Ainda há milhares de feridos sem atendimento

De acordo com relatos do Unicef, grande parte da população está sem acesso a abrigos, água potável e outros serviços básicos. Inundações e deslizamentos de terra pioram ainda mais a situação das famílias e a resposta humanitária.

“Na noite passada, vi ventos fortes e chuvas fortes atingirem as mesmas áreas já afetadas pelo terremoto”, disse Bruno Maes, pepresentante do UNICEF no Haiti, que está atualmente em Les Cayes. “Incontáveis famílias haitianas que perderam tudo devido ao terremoto agora vivem literalmente com os pés na água devido às enchentes”.

Segundo Maes, 500 mil crianças têm acesso limitado à alimentos e atendimento de saúde.

Para você que quer e pode ajudar com qualquer quantia de dinheiro (a partir de R$ 10), equipes da organização Médicos sem Fronteiras estão no Haiti e precisam de doações para poder atender mais pessoas e também, com a aquisição de material e equipamentos. Com apenas R$ 75, por exemplo, é possível auxiliar na compra de 19 tubos nasais para a oxigenação de adultos. Acesse este link para doar.

Vale lembrar que além de toda a catástrofe que enfrentam, os haitianos também são vítimas da covid-19. A vacinação no país só começou em julho.

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Pessoas vivem sob tendas, improvisadas, em meio aos escombros dos edifícios e casas
que foram destruídos pelo terremoto

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Fotos: @UNICEF/Harry Rouzier

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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