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Nove mil filhotes de pinguim-imperador podem ter morrido por causa de degelo recorde na Antártica

Nove mil filhotes de pinguim-imperador podem ter morrido por causa de degelo recorde na Antártica

Já há alguns cientistas fazem o alerta: se nada for feito para conter a crise climática, 98% das colônias de pinguim-imperador podem ser extintas. Prova disso a descoberta recém-divulgada por pesquisadores do British Antarctic Survey (BAS) de que possivelmente nenhum filhote tenha sobrevivido em quatro das cinco colônias conhecidas da espécie no centro e leste do Mar de Bellingshausen.

Através de imagens de satélite, os cientistas observaram a localização das colônias em anos anteriores e perceberam que no final de 2022, quando houve um degelo recorde, elas sumiram antes da época que isso geralmente ocorre, ou seja, os filhotes ainda não teriam desenvolvido suas penas impermeáveis para sobreviver na água gelada.

Os pesquisadores explicam que os pinguins-imperadores (Aptenodytes forsteri) dependem de gelo marinho estável, firmemente preso à costa durante a maior parte do ano, de abril a janeiro. Assim que chegam ao local de reprodução escolhido, eles põem ovos no inverno antártico, de maio a junho. A eclosão ocorre após 65 dias, mas os filhotes só ganham penas no verão, entre dezembro e janeiro.

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Estima-se que 9 mil filhotes possam ter morrido afogados.

“Nunca vimos pinguins-imperadores deixarem de procriar, nesta escala, numa única estação. A perda de gelo marinho nesta região durante o verão antártico tornou muito improvável que os filhotes deslocados sobrevivessem”, diz o pesquisador Peter Fretwell. “Sabemos que os pinguins-imperadores são altamente vulneráveis ​​num clima mais quente – e as evidências científicas atuais sugerem que eventos extremos de perda de gelo marinho como este se tornarão mais frequentes e generalizados”.

Nove mil filhotes de pinguim-imperador podem ter morrido por causa de degelo recorde na Antártica

Imagem de satélite mostra a colônia de pinguim em outubro de 2022 e o mesmo lugar dois meses depois, com o gelo completamente derretido: os pinguins não teriam ganhado ainda suas penas
(Foto: European Commission Copernicus SENTINEL-2)

Desde 2016, a Antártica registou os quatro anos com as extensões de gelo marinho dos últimos 45 anos, com índices recordes em 2021/22 e 2022/23. Entre 2018 e 2022, 30% das 62 colônias conhecidas de pinguins-imperadores do continente foram afetadas pela perda parcial ou total de gelo.

“Neste momento, em agosto de 2023, a extensão do gelo marinho na Antártica ainda está muito abaixo de todos os recordes anteriores para esta época do ano. Neste período em que os oceanos estão a congelar, vemos áreas que ainda estão, notavelmente, em grande parte livres de gelo”, alerta Caroline Holmes, cientista especializada em clima polar do BAS.

O pinguim-imperador

Ele é o maior dentre todas as espécies de pinguins do mundo. Batizado de “imperador“, o Aptenodytes forsteri pode passar de 1 metro de altura e pesar até 40 kg. Se diferencia ainda dos demais pelas orelhas e o peito amarelados. Tendo como habitat o clima gelado da Antártica, nas últimas décadas esta ave enfrenta um inimigo que está, pouco a pouco, destruindo o seu lar: a mudança climática.

O pinguim-imperador depende do gelo marinho para atividades vitais como procriação, alimentação e muda de penas.

Nove mil filhotes de pinguim-imperador podem ter morrido por causa de degelo recorde na Antártica

Gráfico mostra como vem crescendo a perda de gelo na Antártica ano a ano
(Imagem: divulgação BAS/Zachary Labe)

Todavia, assim como em outras partes do planeta, o continente antártico tem sido afetado pelo aumento das temperaturas e com isso, sua cobertura de gelo tem diminuído ano a ano. Em 2022, a Antártica registrou 40 graus acima da média para aquela época do ano.

Por esta razão, no final do ano passado, o Departamento de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos anunciou oficialmente que o pinguim-imperador agora faz parte da Lista de Espécies Ameaçadas do país.

Apesar de os pinguins serem endêmicos da Antártica, ou seja, só são encontrados lá e em nenhum outro lugar do mundo, cientistas acreditam que, como sua principal ameaça é a crise climática, é de responsabilidade de todos os países, inclusive, dos Estados Unidos, também fazer de tudo para evitar seu desaparecimento.

Pinguim-imperador entra para a lista de animais ameaçados de extinção por causa das mudanças climáticas

Um pinguim adulto, à direita, sendo seguido pelo filhote, à esquerda
(Foto: Paul Carroll on unsplash)

Foto de abertura: Doug Allan, British Antarctic Survey

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