Nova Zelândia proíbe exportação de animais vivos em navios

Nova Zelândia proíbe exportação de animais vivos em navios

Cada vez mais o governo da primeira-ministra Jacinda Ardern se torna um exemplo para o mundo, tanto em questões de direitos humanos, como meio ambiente e gestão política. O último exemplo foi dado esta semana, quando o ministro da Agricultura da Nova Zelândia, Damien O’Connor, anunciou que o país proibirá a exportação de animais vivos em navios.

“No centro de nossa decisão está a defesa da reputação da Nova Zelândia de altos padrões de bem-estar animal. Devemos estar à frente da curva em um mundo onde o bem-estar animal está sob crescente escrutínio ”, afirmou O’Connor.

O ministro explicou que o processo de transição para a proibição final levará dois anos, dando tempo assim para que pecuaristas, exportadores e importadores se adaptem à nova legislação.

A exportação de gado e outros animais representa muito pouco nas exportações da Nova Zelândia, apenas 0,2% do total em 2019. Todavia, cada vez mais cresce no mercado internacional o clamor pela proibição do transporte de animais vivos através de via marítima, uma atividade que envolve muito sofrimento e crueldade.

Recentemente noticiamos aqui no Conexão Planeta dois casos sobre o assunto. No começo de março, centenas de bois precisaram ser sacrificados depois de ficaram confinados mais de dois meses em navios no Mar Mediterrâneo. E há poucas semanas, milhares de animais passaram pela mesma situação quando houve o encalhe do Ever Given, no Canal de Suez, no Egito.

Diferente de outros países, a Nova Zelândia só exportava animais para servirem como reprodutores. A grande maioria dessa “carga” tinha como destino a China. Desde 2008 uma lei já proibia o envio dos mesmos para serem abatidos no exterior.

“A decisão é um passo significativo em nossa história para os animais, que outros governos ao redor do mundo agora devem seguir”, comemorou Simone Clarke, diretora executiva da organização World Animal Protection.

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Foto: reprodução Facebook World Animal Protection New Zealand

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Nova Zelândia proíbe exportação de animais vivos em navios

  • 16 de abril de 2021 em 3:51 PM
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    Notícias como essa são a prova de que o Planeta evolui e que terráqueos racionais e conscientes estão percebendo que animais não são objetos, como se isso não fosse o ululante óbvio. No entanto animais ainda continuarão sofrendo até que pecuaristas do mundo inteiro deixem de ser o pesadelo dos animais “de corte”, porque nenhum animal nasceu para ser esquartejado e seus despojos comercializados, junto com a energia negativa de seu desespero, angústia e medo, antes da morte. Veganos já perceberam isso, por enquanto a minoria lúcida e acordada para o respeito à vida de todos os seres, quando substituem pedaços de cadáveres por produtos que a Natureza prodigaliza ao infinito, sem que se considere “indispensável” matar ou financiar o extermínio de inocentes, apenas para almoçar. Parabéns ao governo da Nova Zelândia, ecologicamente correto e condizente com o perfil racional superior do Homo Sapiens, por enquanto ainda longe da sabedoria, porque ainda não são maioria aqueles que consideram sagrada a vida de todos os seres, tanto quanto a sua própria. Parabéns pelo exemplo bonito a ser seguido de joelhos e aplaudido de pé.

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