Nova Zelândia aprova licença de três dias para mães e pais que perderam filhos por aborto espontâneo

Nova Zelândia aprova licença de três dias para mães e pais que perderam filhos por aborto espontâneo ou morte prematura

A Nova Zelândia consegue se superar a cada dia. De uma forma positiva, dando exemplo para o resto do mundo, através da aprovação de leis que estimulam a justiça social, a inclusão, a igualdade de gêneros e a democraia. Exemplo disso foi a lei passada esta semana pelo Parlamento, que recebeu votação unânime, e garante uma liçença paga de três dias a mães, pais e companheiros/as que perderam um bebê por causa de um aborto espontâneo ou quando a criança nasceu morta.

O texto também estabelece que os casais (independente do sexo) que sofrem a mesma parte através de barriga de aluguel ou adoção também sejam beneficiados com o direito.

A proposta do projeto de lei foi feita por Ginny Andersen, líder do Partido Trabalhador, o mesmo da primeira-ministra Jacinda Ardner.

“Esta é uma legislação sobre direitos e justiça dos trabalhadores. Espero que isso dê às pessoas tempo para aceitarem a perda e a dor e estimule a conversa sobre o aborto espontâneo. Não devemos ter medo de nossos corpos”, escreveu Ginny, em seu Twitter. “A dor que vem com o aborto espontâneo não é uma doença; é uma perda. E leva tempo – tempo para se recuperar fisicamente e tempo para se recuperar mentalmente; hora de se recuperar com um parceiro”, completou.

A ideia para a proposta nasceu depois que a escritora neozelandesa Kathryn Van Beek contou para a parlamentar sobre sua experiência pessoal. Segundo ela, “um aborto espontâneo é um nascimento estranho e secreto, que também é uma morte”.

Estima-se que uma em cada quatro mulheres já sofreram com um aborto espontâneo na Nova Zelândia e 20 mil por ano passem por essa experiência dolorosa.

Durante muito tempo, a perda de um filho nessas situações era tida como uma forma de tabu em nossa sociedade. Poucas mulheres falavam sobre isso e o assunto era guardado em segredo, sussurrado entre aqueles que tinham conhecimento.

Mas, muitas vezes, não falar sobre a experiência torna ainda mais difícil o processo de aceitação, de lidar com a dor e o sofrimento. Bem recentemente, duas personalidades americanas, a esposa do cantor John Legend, a modelo Christine Diane Teigen, e a atriz Megan Markle, casada com o príncipe britânico Harry, desabafaram publicamente sobre os abortos espontâneos que tiveram e sobre suas dores.

Christine perdeu o filho quando ela estava no sétimo mês de gestação. Foi necessário que se fizesse uma cesariana. Nas redes sociais, ela compartilhou toda sua tragédia porque achou importante que mais mulheres tomassem conhecimento que o aborto espontâneo, infelizmente, é algo comum e natural, e que afeta milhares de mulheres no mundo todo.

As fotos divulgadas por Chrissy Teigen em sua conta no Instagram após a perda do filho

*Com informações do New Zealand Herald

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Foto: domínio público/pixabay (abertura) e demais Instagram Chrissy Teigen

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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