Nova técnica pode evitar abate cruel de bilhões de pintinhos machos


Todos os anos entre 4 e 6 bilhões de pintinhos do sexo masculino são mortos no mundo. Eles são “inúteis” para a indústria aviária, por isso, são abatidos, na maioria das vezes, de forma cruel – triturados -, ainda vivos.

Acontece que as fêmeas colocam ovos, mas os machos não. Além disso, não engordam o suficiente para serem utilizados como carne. Por essa razão, são descartados.

Para dar um basta a esse extermínio, a empresa alemã Seleggt desenvolveu uma técnica que consegue identificar, nove dias após a fertilização do ovo, se há ali uma ave do sexo masculino ou feminino.

Assim como outras espécies, pintinhos e pintinhas secretam hormônios diferentes e a nova técnica consegue identificá-los.

Através do processo, os ovos que estão na incubadora passam, primeiramente, por um sensor, que aponta se ele já foi fertilizado. Caso tenha sido, um laser ultrafino perfura a casca e extrai um quantidade mínima de fluido, sem comprometer em nada a qualidade do ovo. A substância então é analisada e caso contenha hormônio feminino, o ovo continua na incubadora. Já os que apresentam hormônios masculinos, são usados como ração para animais, evitando assim, o abate dos pintinhos após o nascimento.

Laser consegue retirar fluido que indica se o ovo é de uma fêmea ou de um macho

Em novembro, começaram a ser vendidos em supermercados da capital Berlim os primeiros ovos com o selo da empresa, indicando que a criação do produto elimina o abate dos machos.

A marca RespEggt garante que não há crueldade animal na produção dos ovos

O projeto da Seleggt foi financiado pelo Ministério de Agricultura e Alimentos da Alemanha. De acordo com a constituição do país, “nenhum indivíduo pode causar mal ou provocar dor e sofrimento a um animal sem um motivo válido”.

Para os alemães, matar um pintinho macho só porque ele não coloca ovos não é um motivo aceitável.

Estudos realizados pelo departamento científico da Universidade da Alemanha mostram que, para que uma espécie animal sinta dor, dois fatores são necessários. O primeiro deles é que os neurônios do sistema nervoso central estejam formados. Depois, é preciso que o cérebro possa registrar os sinais dos neurônios e transmita os impulsos da dor. Para os cientistas alemães, os embriões da ave só teriam a capacidade de “sofrer” depois do 15º dia de incubação. Por isso mesmo, a data exata da análise dos hormônios feita pela técnica da Seleggt é tão importante.

Fotos: domínio público/pixabay (abertura) e demais divulgação Seleggt 

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

3 comentários em “Nova técnica pode evitar abate cruel de bilhões de pintinhos machos

  • 2 de janeiro de 2019 em 10:43 AM
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    A frase “para os alemães, matar um pintinho macho só porque ele não coloca ovos não é um motivo aceitável”, se destaca na matéria como um raio de luz na escuridão. Não apenas para os alemães mas para veganos do mundo inteiro, não é aceitável matar animais, sejam eles pintinhos machos, galinhas adultas, bovinos, caprinos, equinos, suínos, aves e animais marinhos, animais bebês ou idosos, sob nenhum pretexto, nem mesmo para esdrúxulos e desnecessários estudos científicos, para aprendizados acadêmicos onde a primeira aula é não chorar nem sentir pena, por esporte, lazer, oferenda “religiosa” ou seja lá o que a demente raça humana, supostamente superior, inventa por conta de sua ignorância, truculência e inferioridade. Não é aceitável nem ético, nem ecologicamente correto ou higienicamente aceitável, que cadáveres sejam consumidos, que animais simbólicos do Presépio sejam degustados e que até mesmo cães e gatos, nossos “queridinhos” sejam raptados de seus tutores, ainda portando sua coleirinha, para serem despejados, aos montes em gigantescas panelas ferventes, ainda vivos, como ocorre em alguns países da Ásia.Sob nenhum pretexto, nem mesmo o da miséria e fome durantes a guerra;a guerra acabou mas o vício alimentar não deu lugar à compaixão e ao respeito a todos os seres vivos. Pintinhos machos são sagrados, cobaias de laboratório também, tanto quanto bebês humanos não merecem ser descartados no lixo, nenhum senciente de qualquer espécie deve ser sacrificado, porque ele pensa, sofre, sente medo e dor. Não existe justa causa para homicídios, carnificinas, matanças de qualquer espécie, contra qualquer pessoa, multidões, pintinhos machos ou um “simples” passarinho quando se trata de defender a Vida, respeitando seu inviolável tempo de gestar, nascer, crescer, procriar e partir, exatamente como qualquer um de nós deseja que aconteça consigo mesmo, com seus filhos, avós ou seus amados e paparicados PETS. A não ser em legítima defesa da própria vida, matar não é um motivo aceitável sob nenhuma hipótese, seja quem for a vítima.
    https://www.sejavegano.com.br/
    https://www.fatosdesconhecidos.com.br/7-paises-que-ainda-consomem-carne-de-gato-e-cachorro/

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    • 9 de janeiro de 2021 em 11:53 PM
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      Se quer que seu ponto de vista seja respeitado pelo outros, respeite as escolhas contrárias às suas. Existe uma razão para os humanos não serem veganos em sua maioria. O Veganismo talvez traga vantagem para as nações desenvolvidas mas traria malefícios absurdos para 2 bilhões de subnutridos que existem em todo o mundo e que ainda não tiveram a chance de ter uma dieta rica em proteína animal como você muito provavelmente já teve. Isto sem falar em dezenas de micronutrientes que somente existem na proteína animal ou são de difícil reposição em dietas veganas (difícil, não impossível, mas requer disciplina, auto controle e investimento pessoal). Não existe apenas um lado, existem dois e é necessário o equilíbrio e não ativismo e polarização.

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    • 9 de fevereiro de 2021 em 4:25 PM
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      Não mudaria uma vírgula, parabéns.

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