Nova espécie de dinossauro descoberta no Brasil é a primeira de um ceratossauro, sem dentes, da América do Sul

Nova espécie de dinossauro descoberta no Brasil é a primeira de um ceratossauro, sem dentes, da América do Sul

Berthasaura leopoldinae. Este é o nome científico dado à nova espécie de dinossauro descrita por pesquisadores brasileiros. O fóssil, encontrado há sete anos numa área rural do município de Cruzeiro do Oeste, no interior do Paraná, foi um dos esqueletos mais completos desses répteis achados até hoje em nosso país. Após anos de análises, os paleontólogos chegaram à conclusão que o animal com estatura aproximada de 1 metro de comprimento, viveu no período Cretáceo.

“Na última década, dezenas de fósseis foram coletados nessa região, o que levou à descrição de novas espécies, particularmente de pterossauros. Essa nova descoberta de um dinossauro, o segundo da região, mostra a importância daquele sítio fossilífero que chamamos de Cemitério dos pterossauros”, afirma Luiz Weinschütz, geólogo do Centro Paleontológico da Universidade do Contestado e coordenador das escavações.

Segundo os especialistas, o Berthasaura leopoldinae era um ceratossauro, um dinossauro terópode carnívoro que viveu no final do período Jurássico, há cerca de 70 milhões de anos. Todavia, a principal surpresa revelada é que esse dinossauro não possuía dentes. Exames de microtomografia computadorizada atestaram também que ele não apresentava qualquer sinal da existência de cavidades portadoras de dentes (alvéolos) na mandíbula e no maxilar.

Todavia, evidências sugerem que o dinossauro brasileiro conseguia se alimentar com uma espécie de bico, semelhante ao das aves de hoje em dia. “É difícil confirmar se a Berthasaura poderia ter usado seu bico para rasgar nacos de carne, assim como os gaviões e urubus fazem hoje em dia, ou se o bico seria utilizado para cortar material vegetal. Vivendo em uma área restrita como o deserto, esse dinossauro deveria se alimentar do que estivesse disponível, tendo provavelmente desenvolvido uma dieta onívora”, acredita Geovane Alves Souza

“Temos restos do crânio e mandíbula, coluna vertebral, cinturas peitoral e pélvica e membros anteriores e posteriores, o que torna “Bertha” um dos dinos mais completos já encontrados no período Cretáceo brasileiro”, ressalta Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional/UFRJ.

A descrição da nova espécie de dinossauro encontrada no Brasil foi divulgada num artigo científico publicado no periódico Scientific Reports, da Nature Research.

O nome escolhido para o Berthasaura leopoldinae faz três homenagens: Bertha se refere à professora e pesquisadora Bertha Lutz (1894-1976), bióloga do Museu Nacional e uma das principais líderes na luta pelos direitos políticos femininos no país, e leopoldinae é uma homenagem tanto à Imperatriz Leopoldina (1797-1826), grande entusiasta das ciências naturais e uma das principais responsáveis pela Independência do Brasil, como também à Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, que homenageou o Museu Nacional em seus desfile na Marquês de Sapucaí em 2018.

*Com informações do Museu Nacional

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Ilustração: Maurilio Oliveira

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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