“Nós não comemos minério, não bebemos rejeito e não respiramos pó! Por isso, precisamos nos mobilizar contra a mineração”

“Precisamos continuar mobilizados contra a mineração! Nós não comemos minério, não bebemos rejeito e não respiramos pó”

Já passava das três horas da manhã da madrugada de sábado, 30 de abril, quando o COPAM (Conselho Estadual de Política Ambiental) aprovou, por 8 votos a 4, a instalação de um complexo industrial para exploração mineral na Serra do Curral.

O empreendimento da Taquaril Mineração S.A. vai devastar uma área verde de mata nativa primária, um dos únicos remanescentes de Mata Atlântica na região central do Estado, equivalente a 1.200 campos de futebol

Foram 18 horas de reunião virtual e a votação foi concluída quando o conselho já estava esvaziado.

Como sempre a mineração atua nas brechas, nas sombras, por trás do cartão postal, brocando tudo na sua sanha desenfreada pelo lucro a qualquer custo.

Mesmo que o custo seja a saúde e a qualidade de vida da população, seja a destruição das poucas áreas de preservação ambiental da região metropolitana da capital, onde estão nascentes e mananciais que integram as bacias dos rios das Velhas e Paraopeba, responsáveis pelo abastecimento de mais de 3 milhões de pessoas, num sítio que está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Costumo fazer caminhadas com meus filhos na Mata do Jambreiro, a maior reserva florestal da grande BH, que está na divisa com a Fazenda Ana Rosa, onde a empresa pretende instalar o Complexo Minerário Serra do Taquaril.

As fotos que ilustram este post foram feitas durante o último passeio que fizemos por lá.

Costumamos avistar por lá uma diversidade enorme de mamíferos como quatis, saruês, tatus, raposas, esquilos, lebres, ouriços-cacheiros, macacos-prego, micos e já vimos rastro de jaguatiricas e de cachorros do mato.

Muitos répteis como teiús e vários tipos de lagartos, jararacas, dormideiras, cobra-coral, cobra-cipó. Ou aves como jacu, jacutinga, tucanuçu, maritaca, siriema, carcará e mutum. Além de uma grande variedade de anfíbios, aracnídeos e insetos de todas as cores e formas.

Isso sem contar a diversidade da flora nesse encontro da Mata Atlântica com o Cerrado, com muito jacarandá, peroba, jequitibá, pau-de-óleo, cedro, ipê, braúna, embaúba, samambaia, araçá, velosia, bromélias e orquídeas entre mais de quatrocentos tipos de plantas diferentes.

São muitas espécies vegetais e animais endêmicas (que só existem ali) e outros que constam na lista dos ameaçados de extinção.

Nessas caminhadas costumamos atravessar vários córregos e pequenos cursos d’água que desaguam no Ribeirão Macacos, afluente do Rio das Velhas. Os meninos estão inconsoláveis. 

Precisamos continuar a mobilização para reverter essa derrota. Afinal nós não comemos minério, não bebemos rejeito e não respiramos pó.

Assine o abaixo-assinado Tombe a Serra do Curral!

*Este texto foi publicado originalmente no perfil de Makely Ka, no Facebook, em 30 de abril de 2022. Para conhecer seu trabalho e ativismo, siga sua página no Facebook (e seu site)
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Fotos: Makety Ka

Edição: Mônica Nunes

Makely Ka

Mora em Belo Horizonte e é um dos mais requisitados compositores de sua geração. Seu repertório pode ser ouvido na voz de Lô Borges, Samuel Rosa, Titane, Ná Ozzetti e José Miguel Wisnik, entre dezenas de intérpretes. Quando não está compondo, uma de suas atividades preferidas é caminhar com os filhos nos espaços onde pode desfrutar da natureza da capital mineira, como a Mata do Jambreiro, na região da Serra do Curral, ameaçada pela mineração

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