Noruega anuncia doação de vacinas a países pobres

O ministro do Desenvolvimento Internacional da Noruega, Dag Inge Ulstein, anunciou esta semana que o país doará doses extras da vacina contra a COVID-19 para serem distribuídas em países de baixa renda. Segundo ele, a doação será feita através da Organização Mundial de Saúde e do Access to COVID-19 Tools (ACT) Accelerator, iniciativa global criada em abril do ano passado para combater a pandemia.

“Devemos garantir que as vacinas tragam esperança para todos, não apenas para alguns”, escreveu Ulstein em seu perfil no Twitter. “Esperamos que mais países façam o mesmo. Se não tivermos sucesso agora, isso não apenas desafiará os esforços contra esta pandemia, mas também destruirá a credibilidade e minar o incentivo para soluções globais para crises futuras”.

O país escandinavo já começou a imunização. Até a semana passada, cerca de 42 mil noruegueses tinham recebido a vacina da Pfizer/BioNTech. A população total é de 4,3 milhões de pessoas.

A Noruega é um dos líderes do ACT Accelerator. Investiu US$ 530 milhões na iniciativa.

Apesar de os países mais ricos concentrarem apenas 14% da população global, pouco mais de 50% das vacinas contra a COVID-19 disponíveis atualmente no mundo foram compradas por essas nações. O alerta foi dado pela People’s Vaccine Alliance, que afirma que em cerca de 70 países, somente uma em cada dez pessoas será imunizada em 2021.

“A ciência está tendo sucesso, mas a solidariedade está falhando”, alertou recentemente António Guterres, secretário geral das Nações Unidas. “As vacinas estão alcançando países de alta renda rapidamente, enquanto os mais pobres do mundo não têm nenhuma”.

O ministro norueguês concorda. “Não podemos esperar até que todos os cidadãos dos países ricos sejam vacinados antes de começarmos a vacinar as pessoas dos países de baixa renda”, disse.

Em dezembro, a Nova Zelândia também anunciou a doação de vacinas para nações vizinhas. A primeira-ministra Jacinda Ardern afirmou que já havia garantido a compra de vacinas para os 5 milhões de neozelandeses e ofereceria ainda para os governos de Tokelau, Cook Islands, Niue, Samoa, Tonga e Tuvalu.

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Foto: Marco Verch Professional Photographer/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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