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Nome de nova espécie de hortelã descoberta na Amazônia homenageia a ativista Dorothy Stang

Nome de nova espécie de hortelã descoberta na Amazônia homenageia a ativista Dorothy Stang

A missionária norte-americana Dorothy Stang tinha 73 anos quando foi assassinada brutalmente a mando de fazendeiros em Anapu, no sudoeste do Pará, em 2005. O crime ganhou repercussão internacional. Irmã Dorothy, como era conhecida carinhosamente por aqueles que a conheciam, lutava pelo direito dos camponeses sem terra na Amazônia e contra o desmatamento ilegal. Agora, 17 anos após sua morte, ela ganha mais uma e singela homenagem: seu nome batiza uma nova espécie de hortelã-do-campo descoberta na região que tanto amava.

Hyptidendron dorothyanum é um “roxinho-amazônico” encontrado nas chamadas savanas amazônicas, áreas de solo arenoso e árvores de menor tempo, também conhecido como campinarana. Os espécimes coletados foram achados nos estados do Pará e do Amazonas.

A descoberta foi divulgada recentemente num artigo científico no periódico internacional Nordic Journal of Botany e tem como autor principal o botânico Guilherme de Medeiros Antar, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Para os pesquisadores, o nome é um tributo “a quem defendia a floresta”.

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“A nova espécie que descobrimos é uma arvoreta com até 3 metros de altura, crescendo em áreas abertas no bioma Amazônico, nas chamadas Savanas Amazônicas, dividindo esse tipo de ambiente no domínio Amazônico apenas com uma outra espécie do gênero, a qual, além de várias características nas folhas e flores, se diferencia pelo seu porte de árvore com até 20 metros de altura, chamada então de Hyptidendron arboreum”, explicou o especialista ao site ((o))eco.

O roxinho-amazônico recém-descrito tem flores em tom de roxo, como seu nome indica. Com ele, agora são 22 as espécies de hortelã-do-campo conhecidas no Brasil. Mas os pesquisadores acreditam que podem existir muitas outras ainda.

As duas localidades onde a planta foi descoberta não estão dentro de nenhuma unidade de conservação, apesar de uma delas estar dentro de um território indígena -, e ficam situadas a 280 km de distância uma da outra, por essa razão, teme-se que a espécie esteja suscetível a ameaças como o desmatamento, incêndios florestais e presença de espécies invasoras.

No artigo, os pesquisadores alertam para a necessidade de se preservar a Amazônia e sua imensa biodiversidade.

“A nova espécie, atualmente conhecida de apenas duas coletas no Amazonas e no Pará, é comparada com suas espécies mais próximas, Hyptidendron canum, H. arboreum, H. asperrimum e H. leucophyllum. Também fornecemos um mapa de distribuição, uma avaliação preliminar de conservação, bem como comentários sobre a fenologia e ecologia da nova espécie. Este trabalho chama a atenção para a importância da conservação da Amazônia e de sua rica, mas ainda não totalmente conhecida diversidade”, ressaltam os cientistas.

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Foto de abertura: Fernanda Antunes Carvalho

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