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No mesmo dia, baleias jubarte, franca e bryde são avistadas com filhotes no litoral norte de São Paulo

No mesmo dia, baleias jubarte, franca e bryde são avistadas com filhotes no litoral norte de São Paulo

“Três espécies diferentes de baleias, com filhotes, avistadas no mesmo dia. Foi sensacional, algo extraordinário para nós! Uma alegria muito grande e estamos comemorando até agora”, diz Julio Cardoso, cofundador do Projeto Baleia à Vista (ProBaV).

As observações ocorreram no domingo, 06/08, na região de Ilhabela e São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. O dia tinha sido escolhido pela equipe do projeto para celebrar 3 mil horas de navegação da Ballerina, embarcação utilizada para o monitoramento de cetáceos.

Durante a saída do barco houve o encontro com oito baleias jubartes (Megaptera navaeangliae), duas brydes (Balaenoptera brydei) e duas francas-austral (Eubalaena australis), várias com filhotes, inclusive, um juvenil semi-albino, algo raríssimo.

“Os encontros foram surpreendentes. Saímos e esperávamos encontrar jubartes, já que estamos na época de migração da espécie. Encontramos então oito indivíduos de jubartes, entre elas, uma fêmea com um filhotinho de poucas semanas”, conta a bióloga e fotógrafa Arlaine Francisco, cofundadora do Baleia à Vista. “E vimos ainda baleias de bryde, uma delas num encontro muito especial, porque era uma já conhecida por nós, a Guarani”.

Até então, não se sabia se Guarani era uma fêmea ou um macho, mas no domingo o mistério foi solucionado. A baleia estava acompanhada de um filhote.

Já o encontro com a baleia-franca-austral também foi inesperado porque elas são registradas de maneira mais esporádica nessa região de Ilhabela. Em geral, elas são vistas com mais frequência na costa de Santa Catarina, local para onde migram vindas da Argentina.

“Três mil horas de navegação e três espécies diferentes de baleias no mesmo dia. E que venham muitas mais horas de navegação monitorando e fazendo um trabalho de apoio para a preservação das espécies da fauna marinha”, destaca Cardoso.

No mesmo dia, baleias jubarte, franca e bryde são avistadas com filhotes no litoral norte de São Paulo

As espécies de baleias observadas num único dia no litoral paulista
(Fotos: Frank Santos)

Sete anos do Baleia à Vista e 500 jubartes identificadas

O Baleia à Vista foi fundado em 2016. Há mais de dez anos Julio Cardoso já fazia registros de cetáceos na região do arquipélago de Ilhabela como cidadão cientista. Mas foi com o início do projeto, junto com Arlaine Francisco, que o trabalho foi ampliado e ganhou uma rede enorme de parceiros, resultando, entre outras coisas, na publicação de diversos artigos científicos sobre as espécies que ocorrem nesse trecho do litoral brasileiro.

Esta semana em específico, também, o projeto atingiu um marco importante: 500 jubartes identificadas com fotos na plataforma Happy Whale, que foram avistadas em Ilhabela e São Sebastião nos últimos sete anos.

“A jubarte é identificada pelo padrão inferior da cauda. Quando ela mergulha e coloca a parte debaixo da cauda para fora é o momento que a fotografamos para identificação. Existe um padrão de manchas de coloração preta e branca que é único para cada indivíduo, então aquela parte da cauda funciona como uma impressão digital”, explica a bióloga.

No mesmo dia, baleias jubarte, franca e bryde são avistadas com filhotes no litoral norte de São Paulo

A 500a jubarte identificada pelo Projeto Baleia à Vista
(Foto: Julio Cardoso/ProBaV)

Aumento do número de baleias jubartes

Em 2022, o censo realizado pelo Projeto Baleia Jubarte registrou um número recorde de indivíduos no litoral do Brasil, cerca de 25 mil. A marca foi celebrada por pesquisadores, já que em 2003, quando foi feito um dos primeiros levantamentos, eram pouco mais de 3.600 baleias (leia mais aqui).

Todos os anos, entre os meses de julho e novembro, as jubartes podem ser vistas em águas brasileiras. Elas chegam ao país, vindas da Antártica, para se reproduzir em temperaturas mais quentes. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia, é considerado o berçário da espécie no Oceano Atlântico Sul Ocidental.

O aumento da espécie observado nos últimos anos é uma recuperação gradual e deve-se, sobretudo, à moratória da caça comercial, estabelecida pela Comissão Baleeira Internacional (IWC), em 1986. Pouco a pouco, as baleias voltaram a explorar, em maior quantidade, locais onde eram avistadas no passado.

Filhotinho ao lado da mãe jubarte: imagem feita no último domingo
(Foto: Arlaine Francisco/ProBaV)

Falta de políticas públicas, mas uma rede intensa de parceiros

Apesar das boas notícias, Arlaine ressalta que no litoral norte de São Paulo não há medidas específicas para a proteção desses animais marinhos. Em São Sebastião existe um porto com uma movimentação intensa de navios e aproximadamente 17 mil embarcações registradas na região.

“Infelizmente as políticas públicas voltadas para os cetáceos são irrisórias. Este ano conseguimos alguns apoios de prefeituras para fiscalização, mas estamos no mar e vemos que não existem embarcações dos órgãos estatais fiscalizando, seja de qualquer instância, municipal, estadual ou federal”, lamenta. “E há prefeituras que não fazem qualquer tipo de tratamento de esgoto“.

Contudo, a bióloga ressalta que há uma Unidade de Conservação Marinha no Arquipélago de Ilhabela, que representa quase 85% da área desse território. Ademais, a região possui características oceânicas, de fluxos de marés e de aporte de nutrientes, que proporciona uma cadeia alimentar bastante rica para a vida marinha.

Além disso, o trabalho de parceiros do Baleia à Vista é intenso. Uma das iniciativas criadas, por exemplo, foi um protocolo que alerta toda vez que uma baleia entra no canal de São Sebastião e toda uma rede é acionada, imediatamente, sobretudo, os comandantes das balsas que trafegam naquela área.

“Quando elas entram no canal temos o alerta laranja e quando sobem e se aproximam das embarcações ele se torna vermelho, assim as balsas reduzem a velocidade e funcionários ficam de olho para avistar os animais”.

Um protocolo similar foi implementado junto com o Porto da Transpetro (Petrobras) para proteger as baleias, com o objetivo de reduzir os casos de atropelamentos.

“Temos aqui um coletivo de parceiros, todos voluntários, para a preservação das baleias e golfinhos”, destaca a cofundadora do projeto.

Uma jubarte que nadava com o filhote nas costas
(Foto: Julio Cardoso/ProBaV)

Foto de abertura: com drone por Frank Santos

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