Ninho destruído nos Estados Unidos tinha mais de 500 vespas ‘gigantes assassinas’, 76 delas eram rainhas

Ninho destruído nos Estados Unidos tinha mais de 500 vespas 'gigantes assassinas', 76 delas eram rainhas

Como noticiamos aqui, há poucas semanas, autoridades do estado de Washington, nos Estados Unidos, encontraram e destruíram um ninho da ‘vespa gigante assassina’, espécie invasora da Ásia.

Os cientistas ainda não sabem como as vespas gigantes entraram no país. Assim como outras espécies invasoras, esses insetos podem ter chegado ali junto com cargas internacionais.

A vespa (Vespa mandarinia) é a maior do mundo, com mais de 5 centímetros, do tamanho aproximado do polegar de uma pessoa adulta. Por causa de sua picada, que possui uma neurotoxina, cerca de 50 pessoas morrem, por ano, no Japão. Além disso, ela pode cuspir seu veneno.

Mas graças a uma verdadeira operação de guerra para rastrear o ninho, quase 100 vespas foram capturadas há cerca de duas semanas.

Todavia, após derrubarem a árvore onde estava o ninho e analisarem o vespeiro, as autoridades do Washington State Department of Agriculture (WSDA) constataram que havia mais de 500 vespas, em diferentes estágios de desenvolvimento. 112 delas eram adultas, operárias, e 76 rainhas.

“O mais provável é que todas, exceto uma rainha, seriam novas rainhas virgens. Novas rainhas emergem do ninho, acasalam-se e depois partem para encontrar um lugar para passar o inverno e começar uma nova colônia no ano seguinte”, explicaram os especialistas.

Isso significa que se o ninho não tivesse sido encontrado, em 2021, outros 75 poderiam ser criados.

O ninho destruído tinha 776 células – os favos são feitos de células e cada célula individual pode conter uma vespa em desenvolvimento. O número é aproximado porque houve algum dano aos favos.

“Apesar das múltiplas aplicações de dióxido de carbono, remoção das operárias e armazenamento em uma instalação fria, a maioria dos espécimes ainda estava viva quando o ninho foi aberto”, revelou o WSDA.

A partir de agora, com o começo do inverno no Hemisfério Norte, a agência continuará capturando as vespas asiáticas por mais algumas semanas, mas provavelmente só rastreará as trabalhadoras.

“Nossos entomologistas não irão, por exemplo, rastrear novas rainhas se alguma for capturada, pois é improvável que elas retornem ao ninho, mas em vez disso tentarão localizar o macho. Mesmo que nenhuma outra ‘vespa assassina’ seja encontrada, o WSDA continuará a fazer armadilhas por pelo menos mais três anos para demonstrar que a área está livre delas”.

Abelhas: principais vítimas da vespa assassina

Vespa mandarinia só ataca humanos quando é incomodada. Na verdade, as principais vítimas desse inseto são as abelhas. Um dos principais sinais da presença desse predador é quando elas aparecem decapitadas em colmeias.

Em poucos minutos, apenas uma vespa asiática pode matar dezenas de abelhas. Em menos de quatro horas, 30 delas são capazes de provocar a morte de 30 mil abelhas em uma colmeia.

“Elas parecem como algo de um desenho animado de monstro com esse enorme rosto amarelo-laranja”, diz Susan Cobey, criadora de abelhas do Departamento de Entomologia da Universidade Estadual de Washington.

“É uma vespa assustadoramente grande, com risco para a saúde do homem, mas o pior, é um predador significativo de abelhas”, acrescentou Todd Murray, entomologista da WSU Extension e especialista em espécies invasoras.

vespas

O minúsculo rastreador colocado em uma vespa para que a equipe conseguisse encontrar a localização do ninho

O ciclo de vida das ‘vespas assassinas’ começa em abril, na primavera do Hemisfério Norte, quando as rainhas emergem da hibernação, se alimentam de seiva e frutas das plantas e procuram um covil subterrâneo para construir seus ninhos.

“Uma vez estabelecidas, as colônias crescem e enviam trabalhadores para encontrar comida e presas. As vespas são mais destrutivas no final do verão e no início do outono, quando estão em busca de fontes de proteína para criar as rainhas do próximo ano”, revelam.

*Com informações e fotos do WSDA

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Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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