Necropsia revela que leão-marinho resgatado em Florianópolis tinha uma bala de arma de fogo na cabeça

Necropsia revela que leão-marinho resgatado em Florianópolis tinha uma bala de arma de fogo na cabeça

Na última quarta-feira (14/04), um leão-marinho-do-sul (Otaria flavescens) foi encontrado na beira do Canal da Barra da Lagoa, em Florianópolis. O animal estava bastante debilitado, magro e mostrando muita apatia. Acionada, uma equipe do Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM) da Associação R3 Animal* fez o resgate do animal.

Infelizmente, no dia seguinte, o macho, que media 2 metros e 90 centímetros e pesava 225 quilos faleceu. Os exames feitos no leão-marinho indicaram que ele estava anêmico, desidratado, com sinais sugestivos de pneumonia e infecção. Apresentava ainda hipoglicemia e elevação de glóbulos brancos. “Isso é um indicativo de infecção no organismo”, explica Cristiane Kolesnikovas, presidente da R3 Animal e coordenadora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos.

Mas o que mais surpreendeu os veterinários foi descobrir, durante a necropsia, a presença de uma bala (projétil) de arma de fogo na cabeça do animal. Segundo a equipe, a bala pode pode ter contribuído para o estado de debilidade geral.

A R3 Animal está agora produzindo um relatório sobre o caso e irá anexar a um boletim de ocorrência, a ser registrado na Polícia Civil.

Necropsia revela que leão-marinho resgatado em Florianópolis tinha uma bala de arma de fogo na cabeça

O projétil encontrado na cabeça do leão-marinho

Infelizmente, esta não é a primeira vez que a R3 Animal se depara com uma situação assim, que envolve tanta crueldade. Em novembro do ano passado, a organização também cuidou de três atobás feridos com balas de chumbinho, que passaram por cirurgias. Dois morreram e apenas um deles sobreviveu. As aves foram resgatadas em lugares diferentes, mas todos tinham projéteis de armas de ar comprimido em seus corpos (leia mais aqui).

Leões-marinhos

Os leões-marinhos que costumam aparecer em Florianópolis, durante o inverno, na maioria das vezes, são adultos e subadultos. Estes animais são oriundos de colônias reprodutivas do Uruguai e Argentina. Porém, desde 2019, tem-se percebido de até doze animais em costões da Ilha de Santa Catarina.

No Rio grande do Sul, existem grupos de leões-marinhos que habitam os Refúgios de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos, em Torres, e do Molhe Leste, em Rio Grande, duas unidades de conservação dedicadas a resguardar o descanso e alimentação destes animais.

Esta espécie vive entre 18 e 20 anos na natureza.

Necropsia revela que leão-marinho resgatado em Florianópolis tinha uma bala de arma de fogo na cabeça

O leão-marinho que acabou morrendo em Florianópolis

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Caso encontre um mamífero, ave ou tartaruga marinha debilitada ou morta na praia, ligue 0800 642 3341, das 7h às 17h. Sua ajuda é fundamental para salvar vidas!

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*O trabalho de reabilitação de animais marinhos que a R3 Animal realiza em Florianópolis faz parte do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), uma condicionante do licenciamento ambiental para a exploração do pré-Sal conduzido pelo Ibama. O PMP-BS vai de Laguna SC até Saquarema RJ e é executado por 15 instituições diferentes.

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Fotos: divulgação R3 Animal/Nilson Coelho

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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