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Necropsia aponta que as três girafas do Bioparque morreram por miopatia, causada por estresse extremo

Necropsia aponta que as três girafas do Bioparque morreram por miopatia, causada por estresse extremo

A necropsia feita nas três girafas que morreram em dezembro, no Resort Safari Portobello, em Mangaratiba, no sul do estado do Rio de Janeiro, indicou que os animais morreram por miopatia, após sofrerem edemas e enfisemas pulmonares. Dois deles apresentavam hematomas no peitoral e um tinha um coágulo na base do pescoço. O laudo, realizado pelos veterinários do BioParque e do Portobello Safari, foi entregue ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) no último dia 25 de janeiro, mas o órgão estadual pediu alguns esclarecimentos adicionais. Algo que causou bastante estranheza é que o documento não continha fotos, o que é comum em autópsias.

As girafas importadas da África do Sul pelo Bioparque do Rio de Janeiro chegaram ao Brasil em novembro. Eram 18 no total. Como acontece com outras espécies, elas precisavam ser mantidas em quarentena para que houvesse certeza que estavam bem de saúde e não ofereciam risco de contaminação de doenças zoonóticas para outros bichos, por isso foram levadas para Manguaratiba, para cumprior lá o período de isolamento.

Todavia, no dia 14 de dezembro, seis delas fugiram do espaço onde estavam tomando sol, quebrando cercas da propriedade. Durante a noite, elas foram recapturadas, mas três morreram (leia mais aqui).

Desde então, as girafas sobreviventes não foram levadas mais para a área externa e permanecem juntas num espaço em que três delas dividem um área de 40 m2 (uma instrução normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estabelece que em zoológicos, para duas girafas são necessários 600m2, além de enriquecimento ambiental, como vegetação abrigo).

Geralmente a miopatia é provocada por um estresse extremo, que acaba causando a degeneração dos músculos, como o coração. Especialistas acreditam que no caso das girafas ela pode ter sido decorrente da fuga e do processo de captura. O que se sabe é que foram usadas cordas para conseguir trazer de volta os animais e não dardos tranquilizantes, como seria o mais indicado.

De acordo com uma reportagem do jornal O Globo, que teve acesso ao resultado da necropsia, “Os laudos histopatológicos apontam que as lesões pulmonares encontradas costuma ocorrer com animais de grande porte após permanecerem longos períodos na posição de decúbito lateral (deitados de lado), resultando em “congestão e atelectasia hipostática”.

Ainda de acordo com a matéria do O Globo, “Segundo o Inea, o BioParque só avisou sobe a morte das girafas seis dias após os óbitos, no dia 20 de dezembro“.

Há poucos dias, o Ministério Público Federal recomendou a devolução imediata das girafas à África do Sul e à vida livre. O parecer do Procurador da República diz que despesas com o processo devem ser pagas pelo Bioparque e o Ibama, que autorizou a compra. O MPF recomendou ainda a suspensão da importação de 18 impalas e 15 zebras pelo zoológico.

O Conexão Planeta entrou em contato com a assessoria de imprensa do Bioparque e questionou quantas pessoas estiveram envolvidas na captura dos animais durante a fuga; se o veterinário responsável estava presente durante o incidente; por que não foram usados dardos tranquilizantes e se os envolvidos tinham experiência para fazer a captura. Até este momento, não tivemos resposta.

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Foto: Carol M. Highsmith on @rawpixel

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