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Nascimento de primeiros muriquis-do-norte em 2025 traz esperança para espécie brasileira em risco crítico de extinção

Nascimento de primeiros muriquis-do-norte em 2025 traz esperança para espécie brasileira em risco crítico de extinção

“Ventos de esperança sopram das montanhas de Simonésia e Manhuaçu na Mata Atlântica de Minas Gerais”. Foi assim que a Fundação Biodiversitas e a Associação dos Amigos do Meio Ambiente (AMA) celebraram o registro dos dois primeiros filhotes de muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) nascidos na temporada reprodutiva de 2025. A espécie endêmica desse bioma, ou seja, só existe ali e em nenhum outro lugar do mundo, é considerada criticamente ameaçada de extinção. Estima-se que hoje restem menos de 1 mil indivíduos em vida livre.

A mãe do filhotinho mais velho chama-se Gotícula. Ele é um macho e tem entre um e dois meses. Depois dele foi registrado o nascimento de um segundo muriquizinho, que tem apenas 15 dias, mas ainda não se sabe o sexo.

As Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) Mata do Sossego e Sossego do Muriqui estão localizadas entre os municípios de Simonésia e Manhuaçu (MG). São duas áreas contíguas, com cerca de 700 hectares. A primeira é mantida pela Fundação Biodiversitas e a segunda pela AMA. Elas abrigam uma população de aproximadamente 30 indivíduos.

“Estes nascimentos são uma importante contribuição na luta contra a extinção da espécie, sobretudo depois do surto de febre amarela ocorrido em 2023”, diz Jorge Velloso, superintendente da Fundação Biodiversitas. “É a prova da efetividade de que os esforços de conservação estão gerando resultados concretos.”

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A expectativa é que uma outra fêmea ainda gere um filhote nesta temporada. Em 2024, houve apenas um nascimento no grupo, que aparece na imagem em destaque, logo no começo da reportagem.

Nascimento de primeiros muriquis-do-norte em 2025 traz esperança para espécie brasileira em risco crítico de extinção
Gotícula com o filhote no colo, que tem cerca de 45 dias
Foto: Theo Anderson

O muriqui é o maior primata do continente americano e o maior mamífero endêmico do Brasil. Entre suas maiores ameaças estão a destruição e a fragmentação de seu habitat, e a perda de diversidade genética.

Nascimento de primeiros muriquis-do-norte em 2025 traz esperança para espécie brasileira em risco crítico de extinção
O filhote de Eduarda, nascido em 2024
Foto: Theo Anderson

A Fundação Biodiversitas mantém outras três reservas que protegem espécies ameaçadas no Brasil, a RPPN Ninho da Tartaruga, que abriga uma das últimas populações do cágado do Paraíba, em Tobos (MG); a RPPN Mata do Passarinho, lar de 345 espécies de aves, entre elas treze ameaçadas de extinção, em Bandeira e Jordânia (MG) e Macarani (BA) e a Estação Biológica de Canudos, habitat da arara-azul-de-lear, em Canudos (BA).

Estima-se que existam menos de mil muriquis-do-norte em vida livre
Foto: Theo Anderson

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Foto de abertura: Theo Anderson

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