Nascimento de filhote de espécie de bugio em risco de extinção na Bahia é muito comemorado por pesquisadores do Parque Vida Cerrado

Nascimento de filhote de espécie de bugio em risco de extinção na Bahia é muito comemorado por pesquisadores do Parque Vida Cerrado

Jorginho já tem 4 meses e continua encantando a equipe do Parque Vida Cerrado, um centro de conservação no município de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. O filhote de bugio-preto nasceu em 10 de março, saudável, e desde então tem demonstrado um desenvolvimento excelente.

O nascimento deste pequeno primata é muito celebrado porque a espécie Alouatta caraya está ameaçada de extinção no estado da Bahia. E também porque Jorginho é filho de dois animais que foram resgatados e frutos de histórias muito tristes.

Chicão, o pai de Jorginho, é um dos mais antigos moradores do parque. Ele foi encontrado pelo Ibama de Barreiras em 2008, próximo de uma estrada, com um dos braços mutilado, possivelmente vítima de um atropelamento. “Após amputação do membro, o animal foi entregue aos nosso cuidados. Um dos únicos bugios-pretos do oeste da Bahia sob cuidados humanos”, contou a equipe do Parque Vida Cerrado em suas redes sociais.

Já Amêndoa, a mãe do novo filhote, foi vítima de tráfico de animais silvestres e chegou ao centro de conservação, vinda do Tocantins, no ano passado.

“A reprodução dos dois era muito aguardada e agora comemorada”, celebram os profissionais do Vida Cerrado.

A reprodução foi natural e Jorginho está sendo alimentado apenas com o leite materno até agora, começando a comer algumas folhas incentivado pelos pais. Os especialistas explicam que é fundamental existir uma população com variabilidade genética, inclusive, em cativeiro, daí a importância do nascimento desse bugio-preto.

O Parque Vida Cerrado é uma das instituições que faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas do Nordeste. Mas no caso de Jorginho, não há previsão para uma reintrodução na vida selvagem.

“Eles são animais sociais, por isso para reintroduzi-los na natureza é necessário formar um bando ativo e bem estruturado, além de garantir uma área onde não terá competição com outros bandos. É um processo delicado e envolve não só a equipe do parque, mas a mobilização de muitas instituições e muitas pessoas”, explicou a bióloga Gabrielle Bes da Rosa, coordenadora do centro de conservação à reportagem do portal G1.

O nome “Jorginho” foi escolhido por uma estagiária do Vida Cerrado, que acompanhou todo o processo de pareamento entre os bugios, a reprodução, gestação e finalmente, o nascimento de filhote. A inspiração veio do desenho animado “Jorge, o Curioso”.

Nascimento de filhote de espécie de bugio em risco de extinção na Bahia é muito comemorado por pesquisadores do Parque Vida Cerrado

Amêndoa, mais à frente, e ao fundo, Chicão, os pais de Jorginho

Principais ameaças ao bugio-preto

Também chamado popularmente de guariba-preto e barbado, o bugio-preto é uma espécie com ampla distribuição no Brasil, ocorrendo nos estados das regiões Centro-Oeste, Sul, Sudeste e em alguns do Nordeste, nos biomas Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa. Todavia, em alguns deles, como é o caso da Bahia, ele apresenta um declínio preocupante em sua população.

O Alouatta caraya ocorre em florestas tropicais secas e inundadas, assim como florestas contínuas e matas de galeria.

Os machos são pretos e as fêmeas e os animais mais jovens têm uma coloração entre o bege e o marrom. Os primeiros podem chegar a até 7 kg, enquanto que elas pesam cerca de 4,5 kg.

Vivem em grupo, de em geral oito indivíduos, dominado pelo macho, que pode copular com várias fêmeas. As vocalizações podem ser ouvidas de muito longe.

Entre as principais ameaças ao bugio-preto estão a perda e a fragmentação do habitat provocados pela expansão das áreas agrícolas e de pecuária, os incêndios florestais e a expansão urbana e das matrizes energética e rodoviária, a caça e a vulnerabilidade a epidemias de doenças infecciosas, especialmente a febre amarela.

Nascimento de filhote de espécie de bugio em risco de extinção na Bahia é muito comemorado por pesquisadores do Parque Vida Cerrado

Jorginho, o filhote tão esperado do Parque Vida Cerrado

*Com informações do ICMBio

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Fotos: divulgação Parque Vida Cerrado

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.