Nasce segundo filhote de anta em reserva do Rio de Janeiro, depois de um século de extinção da espécie no estado

Nasce segundo filhote de anta em reserva do Rio de Janeiro, depois de um século de extinção da espécie no estado

Em março do ano passado, contamos aqui quando a equipe do Projeto Refauna divulgou uma notícia maravilhosa, muito celebrada por todos: o nascimento na vida selvagem, no Rio de Janeiro, do primeiro filhote de anta depois de um século da extinção da espécie no estado. Na época, imagens de uma armadilha fotográfica flagraram o primeiro ‘bebê anta’ na Reserva Ecológica de Guapiaçu, no município de Cachoeiras de Macacu.

Em 2018, três antas foram reintroduzidas na reserva: Valente, Flora e Júpiter viajaram mais de 1 mil quilômetros para chegar ao local. Os animais se juntavam ao casal Eva e Floquinho, que foi levado para a área um ano antes. Os cinco indivíduos eram os primeiras a habitar a região depois de pelo menos um século de extinção da espécie ali.

Agora, um ano após o flagrante do nascimento do primeiro filhote – batizado de Curumim -, imagens das armadilhas fotográficas revelam que tem morador novo na reserva, como ficamos sabendo através das redes sociais do Projeto Refauna:

“Esse ano, que alegria, Flora e Júpiter nos deram mais um bebê anta! Com essa segunda antinha, nossa população está crescendo. Isso nos enche de orgulho e confiança num futuro onde as florestas da Mata Atlântica voltarão a ter antas em abundância.

Flora e Júpiter foram soltos em 2018, vindos do Parque Ecológico da Klabin, e desde então nunca estão muito longe um do outro (apesar de andarem sós, como é normal para antas).

No vídeo de armadilha fotográfica vocês veem mamãe Flora e o filhote, que deve ter por volta de 6 meses. Ainda não sabemos seu sexo, e ele provavelmente nasceu em janeiro, como o Curumim ano passado…

Esperamos que a notícia dessa nova vida aqueça o coração de vocês como aqueceu o nosso 💚

O período de gestação da fêmea da espécie é de 13 meses e nasce apenas um filhote de cada vez, que é listrado. 

Nas próximas semanas, três novas antas, nascidas em cativeiro na Bahia, passarão por um processo de adaptação e também serão soltas na Reserva Ecológica de Guapiaçu. A reintrodução dos animais no local é executada pelo Laboratório de Ecologia e Manejo de Animais Silvestres do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). O monitoramento dos indivíduos é feito em parceria com o Projeto Guapiaçu. No total, já foram reintroduzidas onze antas na reserva. 

Anta: a gigante das matas

A anta (Tapirus terrestris) é o maior mamífero terrestre da América do Sul. Pode pesar entre 200 e 300 kg. “Ela é herbívora e conhecida como jardineira da natureza pois, ao se alimentar dos frutos das árvores e arbustos, espalha as sementes pelo caminho, contribuindo essencialmente para a biodiversidade”, explica o veterinário Pedro Chaves Camargo.

No mundo todo, existem quatro espécies de antas conhecidas pela ciência: a anta-da-montanha (Andes), a anta-centro-americana (América Central), a anta-malaia (Indonésia), além da observada na América do Sul – todas ameaçadas de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, (IUCN na sigla em inglês).

Entre as principais ameaças à sobrevivência das antas estão a perda de habitat (desmatamento) e a caça ilegal.

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Foto: divulgação Projeto Refauna/Maron Galliez (Curumim, filhote nascido em 2020)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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