NamibCam: o BBB dos animais no deserto da Namíbia

Por que um buraco com água no meio do deserto desperta o interesse de milhares de pessoas de todo o mundo, inclusive eu? Não é um buraco qualquer, mas um poço artificial construído para prover água aos animais do Gondwana Namib Park, uma reserva de mais de 55 mil quilômetros quadrados localizada na região desértica mais antiga do mundo, na Namíbia.

Uma câmera alimentada por energia solar, apontada para o poço, transmite imagem e som 24 horas por dia, em uma espécie de BBB do mundo animal

No canal do YouTube que transmite a NamibCam sempre há entre 1.500 e 2 mil pessoas acompanhando a chegada dos animais para se refrescarem.

É gostoso acompanhar as conversas na caixa de comentários, na qual pessoas de todo o mundo trocam impressões sobre os animais frente às câmeras e quais serão os próximos a aparecer – e, até mesmo, apostam em que momento da manhã o sol vai nascer. 

Dê uma espiada agora (abaixo), mas com paciência. É possível que o sinal sofra intermitências devido ao local remoto.

Comunidade

Rapidamente, a NamibCam se transformou em uma comunidade que vai crescendo e da qual faço parte. É quase hipnótico.

Eu, particularmente, acho mais interessante do que uma visita a um zoológico, onde os animais são mantidos presos em um ambiente artificial. Das vezes que bisbilhotei a NamibCam pude ver girafas, hienas, chitas, leopardos, gnus, avestrus e órix (um monte destes antílopes!), além de diversos tipos de pássaros.

Infelizmente não é possível avistar leões, elefantes, rinocerontes ou hipopótamos, já que estas espécies de animais não são encontrados nesta parte da Namíbia.

Abastecimento

Avestruzes são assustadas, assim que precedem a presença de outra espécie, fogem / Foto: Namíbia Focus/Divulgação

O poço do Gondwana Namib Park foi construído em 2006 para prover água aos animais do parque e foi reformado em 2021, quando foi colocada a rocha redonda que aparece nas imagens e serve para ajudar a reduzir a evaporação da água.

Uma bomba movida a energia solar transfere água do lençol freático a 100 metros de profundidade para um reservatório localizado a 150 metros de distância. De lá um tubo alimenta o poço de água e o fluxo é regulado por meio de uma válvula que garante o reabastecimento automático.

Conservação

A Namíbia é um país interessantíssimo e muito bonito, localizado no sul da África, cuja região litorânea está mais ou menos na altura do litoral da região Sudeste do Brasil. Foi o primeiro país do mundo a incluir a proteção do meio ambiente na sua Constituição e atualmente conta com aproximadamente 42% do território destinado à conservação.

Seu deserto é o mais antigo do mundo e lá está também aquela que é considerada a duna mais alta do planeta, a Duna 7, com mais de 380 metros de altura. Quando estive de visita à Namíbia, subi a duna e posso dizer que foi uma das escaladas mais cansativas que fiz na vida, mas que valeu cada grão de areia. 

Foto: Renato Paiva Guimarães

Que tal no Brasil?

A NamibCam é uma ideia muito bacana, de aproximar as pessoas da vida animal usando a tecnologia digital e, ao mesmo tempo, gerar uma comunidade de pessoas sensibilizadas e interessadas na proteção do meio ambiente. Deveríamos ter “NamibCams”, por exemplo, exibindo a vida selvagem no Cerrado, na Amazônia, Caatinga, nos Pampas. Fica a dica!   

A seguir, assista alguns momentos gravados pela NamibCam que revelam a diversidade de espécies que usufruem desse poço e a convivência entre eles que, nem sempre, é pacífica.

No primeiro vídeo, por exemplo, os elegantes antílopes órix – com seus grandes chifres – dominavam o poço até que os bisões chegaram e tomaram conta do lugar:

Com os elefantes, os órix são menos ariscos e compartilham a água:

Pássaros diversos também são atraídos:

No vídeo abaixo, 24 horas de gravação em timelapse (câmera rápida) mostram a variedade de espécies que frequentam a região: girafas, zebras, pássaros de tamanhos variados e o órix, sempre presente:

No vídeo editado, abaixo, avestruzes e animais de menor porte:

Edição: Mônica Nunes

Foto: Reprodução de vídeo

Renato Guimarães

Jornalista, com mestrado em relações internacionais, é especialista em temas ligados à mobilização e engajamento em causas de impacto social. Morou oito anos no Peru, de onde conheceu bastante da América Latina. Trabalhou em organizações como Oxfam GB, Purpose, Instituto Akatu e IFC/Banco Mundial. Foi sócio de duas consultorias – Gestão Origami e Together – e Diretor de Engajamento do Greenpeace Brasil. Atualmente, é Assessor Sênior do Social Good Brasil e VP de Engajamento da Together, agência focada em processos de mobilização para causas de impacto

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