Mulher da etnia Maori é nomeada chanceler na Nova Zelândia

Desde que Jacinda Arden assumiu a liderança na Nova Zelândia, como primeira-ministra – em outubro de 2017, quando tinha 37 anos – o país tem ocupado o noticiário internacional por suas ações de impacto positivo.

Agora, em seu segundo mandato – ela foi reeleita em outubro de 2019 -, esta semana, em 2/11, anunciou a nomeação de Nanaia Mahuta, de 50 anos, a primeira mulher Maori a ocupar o cargo de Ministra das Relações Exteriores do país.

Isso aconteceu durante o evento de nomeação do gabinete de colaboradores de seu novo mandato, no qual a nova chanceler declarou que, enquanto a pandemia durar, as tecnologias serão o caminho para que Nova Zelândia se conecte com o resto do mundo.

“Estou em um momento da minha vida em que me sinto pronta para dar uma declaração clara de quem sou e de qual é minha posição no país”, disse ela na cerimônia. “Sinto-me privilegiada em poder liderar as conversas com o exterior”.

Vale destacar que o país foi um dos exemplos de controle da transmissão local do novo coronavírus.

Com a imposição rápida de medidas rígidas de isolamento social, seguidas por seus 4,8 milhões de habitantes, o país teve apenas 1.504 casos confirmados da Covid-19 e 22 mortes.

Em meados de março, quando registrou somente 100 casos da doença e nenhum óbito, as fronteiras foram fechadas. E voltou a zerar casos da doença. Um exemplo para o mundo.

Quem é Nanaia Mahuta

A nova ministra das Relações Exteriores integra o maior grupo indígena da Nova Zelândia e a coalizão que venceu as eleições gerais, reelegendo Jacinda. Nestas eleições, aliás, o Partido Trabalhista, liderado pela premiê, conquistou maioria no Parlamento.

Em 2016, Mahuta se tornou a primeira parlamentar a usar, no queixo, a moko kaue, tatuagem típica das mulheres da etnia Maori. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ela contou que essa pintura é como “uma declaração de identidade, como um passaporte”.

Na verdade, a moko kaue é um símbolo de autoridade e poder na comunidade Maori, por isso, geralmente é tatuada em mulheres mais velhas.

Com a colonização britânica, as tatuagens Maori “se perderam”, mas têm voltado à cena cotidiana novamente com a importância da representatividade desse povo no país, como forma de reforçar a identidade e o orgulho Maori.

Em junho deste ano, após zerar casos de coronavírus, a Nova Zelândia lançou uma campanha de reconexão com valores da cultura indígena Maori, como noticiamos aqui.

Foto: Reprodução do Facebook de Nanaia Mahuta

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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