Movimento une marcas que ajudam na conservação da Amazônia, facilitando o acesso a produtos da floresta

A Amazônia está em pauta praticamente todos os dias nos últimos dois anos. O aumento na ocorrência de incêndios e de desmatamentos. Grileiros e garimpeiros se sentindo livres para praticar contravenções na floresta pois são incentivados por falas e posturas do governo federal.

Às vezes dá desespero ler e ouvir as notícias. E ainda mais a leitura de estudos e pesquisas, alguns dos quais já colocam a Amazônia como próxima de atingir um ponto sem volta em sua capacidade de regeneração.

As políticas de comando e controle são fundamentais no país, tanto que já foram responsáveis pela redução do desmatamento da floresta em grande escala – que de 27,7 mil km² em 2004 caiu para 4,4 km² em 2012. Mas encontram-se completamente sabotadas neste momento do Brasil

Tenho visto bastante movimento em torno de uma economia 4.0 para a Amazônia, que reúne pesquisadores reconhecidos no país na busca de impulsionar a bioeconomia ou a economia do conhecimento da natureza, como denomina o sociólogo Ricardo Abramovay.

Aliás, recomendo a leitura do livro Amazônia – por uma economia do conhecimento da natureza, de sua autoria, para quem quer se informar rapidamente sobre a situação e o potencial da Amazônia.

Crescer sem gerar impacto negativo na floresta

Foto: Sebastien Goldberg/Unsplash

A Amazônia tem potencial biodiverso como nenhum outro lugar do mundo. Ativos para cosmética, medicamentos, alimentos e outros insumos da floresta que podem ser utilizados visando a conservação da Amazônia e a geração de renda para suas populações.

Já existe um grupo de empreendedores e empreendedoras avançando em pequenos e médios negócios que têm a conservação da floresta no centro de seu modelo. Conheço de modo bastante próximo 30 deles, e possivelmente muitos outros estejam nesse compasso na região da Amazônia Legal.

Esses negócios integram o portfólio do Programa de Aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia. Suas cadeias produtivas envolvem agricultura familiar, povos tradicionais e comunidades ribeirinhas.

Quando não envolvem esses grupos, levam soluções para eles como, por exemplo, proporcionar acesso à energia solar para substituir os poluentes e caros geradores a diesel em comunidades isoladas que não têm acesso à eletricidade. Ou ainda assessoria técnica para agricultores familiares.

A escala desses negócios é um tema delicado, que exige o tempo todo a reflexão de como crescer sem gerar impacto negativo para a floresta. Muito possivelmente, a soma dos pequenos e médios negócios sustentáveis na Amazônia pode gerar essa escala, com a força de uma coletividade em prol de um novo modelo de desenvolvimento.

Campanha vira movimento

Em setembro, escrevi aqui, no Conexão Planeta, sobre a campanha Amazônia em Casa, Floresta em Pé.

Realizada por um grupo de empresas, marcas sustentáveis amazônicas e outras organizações, ela vai aos poucos se transformando em um importante movimento, que certamente vai crescer com a inclusão de novas marcas.

Um dos grandes desafios dos 30 empreendimentos que o integram reside na logística complexa da Amazônia e na comercialização. Durante a pandemia, com o isolamento social, essas questões se intensificaram e muitos tiveram que incrementar ou aderir às vendas online.

Entre os produtos oferecidos estão itens do rico artesanato indígena – oriundos de diversas comunidades -, entre eles, acessórios e artigos de decoração, todos feitos a partir de insumos da floresta, processados de forma sustentável, como tecidos em fibra e látex, a partir de saberes tradicionais renovados.

Alimentos como café, tucupi, geleias, chocolates, entre outros pouco conhecidos agora também estão mais acessíveis aos brasileiros.

Ao consumir esses produtos, ajudamos a fomentar os negócios desse movimento para que sigam atuantes e se fortaleçam.

Eu sigo consumindo, mas também atuando de outras maneiras para apoia-los: acionando bons parlamentares, participando de campanhas virtuais, me manifestando nas redes, participando de fóruns e espaços que reúnem governos locais, cobrando comprometimento dos mesmos em todas essas pautas e na estruturação de políticas públicas.

E isso não só para a Amazônia, mas também para o bioma onde vivo atualmente, a Mata Atlântica. E para todos os outros de alguma maneira, em maior ou menor escala.

E nem precisaria dizer aqui que a escolha de nossos governantes tem tudo a ver com isso…

E você? Quais têm sido suas escolhas possíveis neste 2020?

Edição: Mônica Nunes

Fotos: Rodrigo Kugnharski/Unsplash

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22 e com a AMAZ aceleradora de impacto. Atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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