Motorista de aplicativo expulsa mulher de veículo após ela fazer comentário racista

Era para ser apenas mais uma corrida para o motorista do aplicativo Lyft James Bode. Mas logo que a passageira entrou no veículo do americano, ela falou: “Nossa, você é um cara branco?”. Confuso, ele pergunta o que ela tinha dito, para o que ela replica. “Ah, você é só um cara normal branco. Você fala inglês…”, e ela dá dois tapinhas no ombro dele.

Imediatamente Bode vira para a mulher e manda ela sair do carro. “Isso é completamente inapropriado”, ele fala. “Se alguém que não fosse branco estivesse sentado aqui, qual seria a diferença?”, questiona.

Em seguida, o homem que acompanha a mulher começa a discutir com o motorista, xingá-lo e ameaçá-lo. Bode informa que a discussão está sendo toda filmada e afirma que os dois são racistas. Em seguida, avisa que irá denunciar ambos para a polícia.

E foi o que Bode fez. Na delegacia, registrou um boletim de ocorrência de injúria racial contra a mulher e o homem, que segundo a imprensa americana são os proprietários do bar e restaurante Fossils Last Stand, em Catasauqua, na Pensilvânia.

O vídeo viralizou nas redes sociais após o motorista publicá-lo em seu perfil no Facebook, onde já teve milhões de compartilhamentos e visualizações.

Após a repercussão do caso, Bode escreveu um novo post.

“Para todos que estão estendendo a mão e demonstrando apoio, obrigado. Eu agradeço, de verdade. Mas é assim que deve ser em todos os lugares, sempre. Eu não deveria ser “o cara” que fez ou disse isso…” Todos nós deveríamos ser essa pessoa. Fale se estiver desconfortável com isso, porque isso os deixa [os racistas] desconfortáveis, como deveriam ficar. Foda-se o racismo”, finalizou.

O crime cometido nos Estados Unidos – sim, racismo e injúria racial são crimes tanto lá como no Brasil -, lembra o que aconteceu há poucas semana em São Paulo, onde uma multidão se revoltou contra uma mulher que pediu que uma passageira negra no metrô “cuidasse com cabelo, que poderia passar alguma doença”.

E vale lembrar que o incidente ocorrido no estado da Pensilvânia aconteceu no mesmo final de semana em que dez pessoas foram mortas num mercado em Buffalo. Todas eram negras. Foram vítimas de um jovem de 18 anos, que se dizia parte do movimento da chamada “supremacia branca”.

Denuncie o racismo

Se você for vítima ou presenciar algum ato de racismo, aprenda aqui o que fazer para denunciar. Em algumas capitais, como Rio e São Paulo, é possível prestar queixa em lugares especializados, como a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Em outros estados, a denúncia pode ser feita em qualquer delegacia. 

Há também o Disque 100, serviço do governo federal para receber denúncias de violações aos direitos humanos.

Já para casos de discriminação ou injúria racial em sites da internet ou nas redes sociais, deve-se copiar o link da página, dar um print-screen na mesma (inclusive no perfil do usuários, nos comentários e nas imagens) e com este material em mãos, ir à delegacia prestar queixa.

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Foto: reprodução vídeo e vídeo Jornal Cidade

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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